Ministro apóia a renovação da frota
O programa nacional de renovação da frota de veículos usados recebeu o apoio do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Celso Lafer. Em entrevista após audiência concedida aos representantes da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), na última sexta-feira, o ministro disse que o programa, em linhas gerais, é positivo, porque tem impacto direto na melhoria da questão ambiental e permite melhor aproveitamento das sucatas. Ressaltou, contudo que a isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), contida na proposta, tem um ônus fiscal que precisa ser considerado.
O presidente da Anfavea, José Carlos Pinheiro Neto, e diretores da entidade, fizeram uma explanação ao ministro da situação do setor automobilístico e das expectativas com relação ao desempenho para este ano. Pinheiro Neto informou ao ministro que a indústria pretende exportar este ano, no mínimo, os mesmos US$ 5 bilhões exportados no ano passado. Admitiu, contudo, que as alterações na política cambial - com maior desvalorização do real frente ao dólar - poderão melhorar este resultado. Ninguém mais no mundo está sedento por carros. É claro que esta medida torna o setor mais competitivo, disse.
Pinheiro Neto disse que durante a conversa com o ministro, Celso Lafer prometeu levar adiante a realização de acordos automotivos bilaterais com o Chile, África do Sul e Comunidade Européia para ampliar as exportações. Através desses acordos o Imposto de Importação tem a alíquota zerada, o que facilita a comercialização de veículos brasileiros para esses países. Em troca, também é facilitada a importação de mercadorias por eles produzidas. Do Chile, por exemplo, poderão vir vinhos e pescados, disse Pinheiro Neto.
Sobre o mercado interno, Pinheiro Neto informou ao ministro que as perspectivas não são tão boas em função dos juros altos e dos impostos incidentes sobre a produção. Segundo ele, há duas estimativas para 1999: uma pessimista, que prevê a produção de um milhão e 400 mil carros, e uma otimista, que eleva este número para um milhão e 700 mil unidades. Para que a alternativa otimista se concretize, a Anfavea defendeu algumas medidas, entre as quais a aprovação do programa nacional de renovação da frota de cinco milhões de veículos que estão com vida útil entre 10 e 15 anos.
A direção da Anfavea informou que na próxima quarta-feira terá uma reunião com o governador de São Paulo, Mário Covas, da qual espera tirar uma proposta final para o programa de renovação de frota. Esta proposta, segundo Pinheiro Neto, deverá ser encaminhada aos demais governos estaduais por Mário Covas, na medida em que prevê a participação estadual com a redução do ICMS. A proposta da Anfavea, de caráter permanente, prevê a concessão de um bônus de R$ 2.000,00 por veículos com até 15 anos de uso, com renovação escalonada até o ano 2001. Este bônus seria formado da seguinte forma: R$ 700,00 referente a redução do IPI; R$ 700,00 referentes à redução do ICMS; e R$ 600,00 divididos meio à meio entre as montadoras e as concessionárias. Os veículos velhos seriam trocados por novos com até 1.6 cilindradas, e os antigos seriam obrigatoriamente sucateados.Arquivo FolhaNo Brasil existem cinco milhões de veículos que estão com vida útil entre 10 e 15 anos e podem ser trocados por novosAgência Estado





