Minicarros caem no gosto dos brasileiros
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sábado, 02 de maio de 2009
Andrea Vialli<br> Agência Estado 
São Paulo - Os minicarros, que há pelo menos dez anos são sensação nas ruas da Europa, estão chegando ao Brasil. O Smart, da Mercedes-Benz, e o Mini Cooper, da BMW, foram os primeiros a desembarcar no mercado brasileiro. Para o segundo semestre, será a vez do clássico Fiat 500. Todos trazem a promessa de serem uma opção mais ágil, econômica e arrojada para o trânsito das grandes cidades.
O pequeno Smart - que mede 2,69 metros -, importado pela Mercedes-Benz, começou a ser vendido há três semanas na concessionária Smart Center Jardins, em São Paulo. A curiosidade inicial sobre o minicarro já está se transformando em vendas - do primeiro lote de 130 unidades, 120 já haviam sido vendidas até o dia 24 de abril. Está prevista a importação de 500 modelos até o fim do ano.
''Em média, 80 pessoas visitam a concessionária todos os dias. Desde que a loja abriu, não consigo mais almoçar'', conta o gerente de vendas da concessionária, Marcos Martin. O resultado está acima das expectativas do importador, que era vender em torno de 40 a 50 carros por mês - e já se fala em uma segunda revenda, na cidade de São Paulo. ''Creio que havia uma demanda reprimida pelo modelo no País.''
Além do sabor de novidade, o potencial comprador do Smart busca um segundo ou terceiro carro - 70% dos que visitam a concessionária são homens, entre 35 a 50 anos, e com vida profissional estável. Há muitos profissionais liberais e pessoas que conheceram o modelo em viagens à Europa - lá, ele foi lançado em 1998. ''Há também celebridades, publicitários'', conta Martin. Ele explica que um perfil mais detalhado do comprador dos minicarros está sendo preparado, e vai dar subsídios à publicidade da marca no Brasil.
O preço do pequeno pode assustar os mais desavisados: a versão coupé do Smart custa R$ 57,9 mil na tabela e a versão conversível, R$ 64,9 mil. Na Europa, os preços do minicarro começam em 9 mil euros. ''Os impostos tornam os preços dos minicarros salgados para o consumidor brasileiro'', diz Edson Crescitelli, estudioso do mercado e professor da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM).
Mini Cooper
A BMW do Brasil, que está trazendo o Mini Cooper, não teme a concorrência dos outros pequenos e charmosos que estão chegando ao País no mesmo período. ''O Smart atende a outro público, o Mini Cooper é para o formador de opinião. Gente que tem atitude'', diz o diretor-presidente da BMW do Brasil, Jöurg Henning Dornbusch.
O executivo afirma que já foram vendidos 50 dos 200 Mini Coopers programados para o mercado brasileiro, antes mesmo de o carrinho ter desembarcado. Os três modelos oferecidos pela BMW têm preços que oscilam entre R$ 97 mil e R$ 134 mil - o que não deve assustar a clientela, pois, segundo o executivo, já eram vendidas 60 unidades por ano no País, via importação direta - a um preço estimado em R$ 150 mil. ''Incluir o Brasil foi um processo natural'', diz Dornbusch.
A BMW lançou o Mini Cooper com uma grande festa, que exibiu as três opções de modelos que serão comercializados no Brasil. Fontes do mercado estimam que foi gasto R$ 1 milhão para reunir 700 convidados no estacionamento da estação do Metrô Ana Rosa, em São Paulo. O Mini, que foi criado na Inglaterra em 1959, hoje é vendido em 27 países e tem uma produção anual de 240 mil unidades por ano. O charme está na exclusividade. Além de duas concessionárias no Brasil - em São Paulo e em Curitiba -, está prevista ainda uma loja que venderá roupas e acessórios para os aficionados na marca.
Fiat 500
A estreia dos pequenos da Mercedes-Benz e da BMW em território nacional será acompanhada de perto pela Fiat, que prepara para o segundo semestre - o mês de lançamento ainda é segredo - a chegada do Fiat 500. O tradicional carrinho da montadora italiana, relançado internacionalmente em 2007, já vendeu 310 mil unidades desde então, em todo o mundo. Só no México, onde foi lançado no fim do ano passado, foram vendidos 200 carros em dois dias.
O 500 custa entre 12 mil e 15 mil euros na Europa. No Brasil, o preço ao consumidor não foi revelado pela empresa - que mantém os detalhes do lançamento trancados a sete chaves -, mas deve ficar abaixo dos R$ 130 mil, preço estimado dos modelos que eram comercializados via importação direta - em torno de 100 por ano.
''Esse é um nicho inexplorado no Brasil. O mercado tem maturidade suficiente para dar boa receptividade ao modelo. Claro que não será no volume de um Palio, mas teremos alguns milhares circulando pelas ruas'', afirma Carlos Eugênio Dutra, diretor de produtos e exportação da Fiat para a América Latina.


