Lembra do Gurgel? Apesar de todos os esforços não foi para a frente. Agora, o Óbvio tenta fazer uma trajetória parecida, porém com algumas nuances. Em vez de apostar no mercado interno, a empresa vai dar o primeiro passo lá fora, nos Estados Unidos.
A empresa Óbvio Automoto Veículos, sediada no Rio de Janeiro, conseguiu fechar um contrato inédito no país destinado à exportação direta para distribuição futura de 50 mil carros por ano para o mercado norte-americano. O contrato, válido por 21 anos, foi fechado com a empresa ZAP (Zero Air Polution), fabricante californiana de veículos elétricos, dos Estados Unidos, no último dia 14 de setembro, mas a empresa brasileira pretende também exportar para Europa e Ásia, também a partir do ano que vem.
O fruto desta grande empreitada é um minicarro movido a biocombustível, com capacidade para três pessoas em um único banco, totalmente desenvolvido e produzido no Brasil.
A nova versão do Obvio! chamada de 012, e outra menor, a 828, serão enviadas aos Estados Unidos para participar do Salão do Automóvel de São Francisco, na Califórnia.
Apesar do seu porte reduzido, o Óbvio possui motor de alta potência, de 1.6 litro fabricado pela Tritec, do Paraná. A potência varia entre 115, 170 e 250 cavalos. ''Será o primeiro carro flexível dos Estados Unidos que poderá ser abastecido com gasolina ou álcool'', informa Celso Meirelles de Oliveira Santos, diretor e designer da Obvio!. O carro terá tecnologia para rodar com álcool de milho, usado nos EUA como mistura à gasolina na proporção de 15%.
Segundo o presidente da Obvio!, Ricardo Machado, a versão 828, com 2,65 metros e capacidade para três pessoas, vai custar US$ 14 mil (R$ 34 mil). A 012, mais sofisticada, será vendida por US$ 24 mil (R$ 68 mil). Os modelos trazem inovações como um computador multimídia que será fornecido pela empresa iMobile.
O presidente da Óbvio, Ricardo Machado, disse que a produção da companhia é totalmente destinada à exportação e poderá chegar, com novos contratos, a 80 mil carros anuais. Os dois sócios da empresa são Ricardo Machado e o designer Anísio Campos, autor do desenho do famoso carro brasileiro Puma, fabricado a partir de 1967, e também do Gurgel. A Puma produziu 22 mil carros em 20 anos, dos quais dois mil foram exportados.
O presidente da ZAP, Max Scheder-Bieschin, veio ao Brasil acompanhar a finalização da produção dos dois protótipos, que também serão apresentados no Salão de Los Angeles, em janeiro, e no de Orlando, em fevereiro. ''A filosofia da nossa empresa é ter produtos únicos, que sejam sustentáveis, chamem a atenção e tenham alta qualidade'', diz Bieschin.
A ZAP, companhia pública criada em 1994 com ações na Bolsa de Nova York, já vendeu 90 mil veículos elétricos, entre patinetes, bicicletas e carros. O acordo com a Obvio! foi assinado em setembro e inclui a compra de 20% das ações da empresa brasileira. Inicialmente, Machado negociou a exportação com a Auto America Group, mas o negócio foi desfeito.
''Temos certeza de que o mercado americano quer veículos pequenos e econômicos e vamos atuar nesse nicho, com produtos diferenciados, sem competir com as grandes montadoras'', afirma Bieschin. O consumidor alvo, diz ele, são pessoas que já possuem um ou dois veículos e querem uma terceira opção para andar pela cidade. ''Vamos oferecer um produto de alta tecnologia e que faz bem para o meio ambiente.''

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