A máxima de que todo mundo tem um sonho de criança que pretende realizar algum dia se cumpriu na vida do empresário Marcos Viana. E mais, o sonho hoje vive muito bem cuidado em sua garagem. A Ford F-100 amarela, ano 1957, chama tanto a atenção que ao participar de encontros de carros antigos e outros eventos automotivos já chegou a ser premiada em diferentes categorias.
Viana lembra que quando menino sempre desejou a F-100. Para ele, o carro é uma miniatura que se tornou realidade. "Sempre colecionei miniaturas, tenho até essa mesma caminhonete entre elas. Consegui essa F-100 e hoje me sinto realizado", diz.
Diferente de outros colecionadores de carros antigos que procuram manter o automóvel totalmente original, Viana procurou modernizar a F-100 para torná-la ainda mais atraente. "A carroceria é toda original, mas tem uma série de mudanças que executei. Aliás mudar uma coisa ou outra é algo que sempre faço quando possível", informa.
Ele lembra que sua história com a F-100 começou há quatro anos, quando comprou a caminhonete em boas condições de uso, mas decidiu fazer algumas alterações. O chassi sofreu ajustes, permitindo um curso maior de rebaixamento. Isso também fez com que o fecho, antes de molas, fosse substituído por bolsas de ar. "Com isso posso controlar a altura em que quero deixar a minha caminhonete a qualquer momento", explica. "Os cilindros que armazenam ar tornando isso possível ficam alocados na caçamba e embaixo da cabine", acrescenta.
O empresário comenta ainda que as válvulas de suspensão são rápidas conferindo ainda mais estilo à F100 ao abaixar e levantar. "Essas válvulas são de padrão americano. A maioria das utilizadas nos carros daqui fazem ele subir e descer lentamente, mas a minha caminhonete não", esclarece.
As rodas agora são aro 20 polegadas e o motor, embora continue sendo um V8, não é o mesmo que costumeiramente era utilizado nas F-100, mas sim a linha 318 do Dodge que, segundo Viana, confere mais potência ao carro.
Embora não comente valores, o empresário sabe que já investiu alto no veículo e que muitos colecionadores, sejam apaixonados por antigomobilismo ou pelos automóveis alterados, pagariam muito para ter uma F-100 como a dele na garagem. Mas antes que apareçam propostas, ele adianta que não pretende se desfazer da caminhonete tão cedo e a decisão não é nem dele. "Se perguntar para minha filha Ingrid, de 8 anos, ela diz que posso vender a casa e tudo o que eu tenho menos a caminhonete", revela aos risos.
A menina, aliás, protagonizou uma das cenas mais marcantes envolvendo a caminhonete, lembra Viana. "Em um de seus aniversários ela me pediu para entrar na festa na caminhonete. Pude realizar um sonho dela, tudo porque realizei meu sonho de criança quando comprei esse carro."

História
A picape F-100 foi um dos primeiros veículos produzidos pela Ford no Brasil, a partir de outubro de 1957. O motor V8, importado no primeiro ano, só começou a ser fabricado no País no ano seguinte. O modelo 1959 ganhou, além de para-brisa com área 20% maior, novo painel de instrumentos e emblemas nas cores verde e amarela com a inscrição "brasileiro".
A cabine da F-100 era simples, com moldura em forma de arco para agrupar os instrumentos. O câmbio de três marchas era manejado por meio de alavanca na coluna da direção e a caçamba step-side - mais estreita -, tinha os para-lamas salientes.
Muitos proprietários trocavam a caçamba por carrocerias de madeira, o que fez com que a fábrica oferecesse a opção da picape sem caçamba. As versões perua e furgão também foram vendidas no Brasil na década de 1950.
Já no modelo 1961, a picape recebeu a caçamba styleside, que era mais larga e acompanhava a linha da cabine, incorporando os para-lamas.
Em 1965, a Ford lançou a F-100 em duas versões: passeio, com suspensão mais macia, e rancheiro, mais pesada.
Em 1968, a picape ganhou suspensão dianteira independente Twin-I-Beam e nova frente. Com molas helicoidais, ela aposentava o eixo rígido com molas semi-elípticas e proporcionava maior conforto e melhor dirigibilidade. Na mesma época, a Ford passou a oferecer uma versão da F-100 com motor quatro cilindros.
Em 1979, a picape ganhou motor a diesel e foi promovida a F-1000, com capacidade para uma tonelada, freios a disco na frente e opção de direção hidráulica.

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