MERCADO Mercedes quer produzir um novo modelo Para estimular a produção, a empresa pensa num veículo intermedário entre o Smart e o Classe A Arquivo FolhaO modelo Smart, um micro-carro, foi lançado pela Daimler no último Salão de Paris, realizado no ano de 1998Pátio da fábrica do grupo Daimler na Alemanha, onde são produzidos os modelos SmartO Classe A ganhará um motor mais potente, de 1.9 litro e 125 cv Agência Estado A fabricação de um novo modelo Mercedes-Benz na planta de Juiz de Fora (MG) deve ser a saída da montadora alemã para estimular a capacidade de produção da fábrica e recuperar os investimentos de mais de US$ 750 milhões aplicados no projeto. Entre as principais alternativas está a produção de um modelo intermediário entre o pequeno Smart e o Classe A, fabricado na planta mineira, a única a produzir o veículo fora da Alemanha. O preço médio do Smart na Europa é de US$ 9 mil. O Classe A é comercializado no mercado brasileiro com preços entre R$ 32,4 mil e R$ 40,4 mil. Na segunda-feira, a DaimlerChrysler, associação entre a alemã Mercedes-Benz e a norte-americana Chysler, anunciou em Stuttgart, na Alemanha, que estuda o lançamento do modelo intermediário no mercado europeu. ‘‘Esta é uma possibilidade para o Brasil’’, disse o chefe de operações da DaimlerChrysler na América Latina e presidente da Mercedes-Benz do Brasil, Ben van Schaik. Segundo ele, outra alternativa para alimentar a linha de produção de Juiz de Fora, cuja capacidade ociosa é superior a 60%, seria a fabricação de um veículo de luxo destinado ao mercado externo. ‘‘Nós estamos estudando muitas possibilidades, mas a mais concreta delas é produzir um outro modelo Mercedes-Benz destinado principalmente ao mercado externo’’, disse Schaik, adiantando que a definição sobre o projeto deve sair na metade do ano. A produção de um veículo da marca Chrysler em Juiz de Fora está praticamente fora dos planos de curto prazo do grupo. ‘‘A fábrica da Chrysler em Campo Largo (PR) também tem grande capacidade para produzir outros modelos Chrysler’’, observou o executivo alemão. ‘‘É mais fácil fabricar um outro modelo Mercedes-Benz em Minas Gerais, com os mesmos sistemas de montagem’’, afirmou. A sinergia das atividades da DaimlerChrysler no Brasil deve estar completa em três meses. Ben van Schaik informou ainda que a companhia está negociando a exportação do Classe A para os Estados Unidos. Em 99, cerca de 20% (3,5 mil unidades) dos 15 mil veículos fabricados na planta mineira foram destinados ao mercado latino-americano, principalmente Argentina e México. No mercado brasileiro, as vendas somaram 9,8 mil unidades de junho - mês que em que o carro foi lançado no Brasil - a dezembro. Inaugurada em abril, a unidade de Juiz de Fora tem capacidade produtiva de 70 mil veículos por ano. As projeções mais otimistas para este ano, entretanto, são de que a produção chegue a 25 mil unidades. As vendas de janeiro no mercado interno somaram pouco mais de 1 mil unidades. O principal obstáculo para o crescimento das vendas do Classe A no mercado interno é o preço do veículo, que varia de R$ 32,4 mil a R$ 40,4 mil. Os concorrentes do modelo - Astra (GM), Golf (Volks) e Brava (Fiat) - estão na faixa dos R$ 27 mil. O presidente da Mercedes-Benz do Brasil descartou a possibilidade de a montadora produzir uma versão mais popular do Classe A. O diretor de vendas da DaimlerChrysler no Brasil e América Latina, Roberto Bógus, informou que a empresa está realizando cerca de 15 mil test-drive por trimestre na tentativa de alavancar as vendas do veículo. ‘‘O Classe-A é um carro que vai acabar se projetando no Brasil’’, aposta. Classe A 1.9 - A partir do segundo semestre, a Mercedes deve lançar o modelo A 190 do Classe A, com motor 1,9 de 125 cavalos (26 cv a mais que o 1,6 do A 160, disponível no mercado). O veículo contará também com um controlador de velocidade e novo sistema de som. O preço do carro ainda não foi definido.