Em operação desde janeiro, a nova fábrica de Caminhões da Mercedes-Benz, em Juiz de Fora (MG), foi oficialmente inaugurada nesta última semana. Durante o evento, a imprensa especializada teve a oportunidade de conhecer as instalações da unidade que foi adaptada na mesma estrutura onde a empresa produzia automóveis.
A conversão da fábrica começou em 2010 e durou 18 meses, período em que, segundo o vice-presidente de Caminhões e Agregados, Ronald Linsmayer, foram investidos R$ 450 milhões. ''Nós conhecemos várias operações mundo afora, muitas que nem são de caminhões e para cada tipo de operação pegamos qual era referência mundial. Tentamos colocar aqui tudo de melhor'', afirma. ''É uma das mais modernas fábricas de caminhões do mundo'', ressalta Jurgen Ziegler, presidente da Mercedes do Brasil.
Com 170 mil metros quadrados de área construída e mais de 800 funcionários que se dividem em três turnos, a unidade tem uma produção anual estimada em 50 mil veículos. ''São cerca de 50 caminhões produzidos por dia'', destaca Linsmayer.
Na fábrica são montados dois modelos bem distintos, mas na mesma linha de produção. O grande destaque é o extra-pesado Actros, que até o ano passado era importado da Alemanha. ''Com os modelos Axor, Atron, Atego e Accelo já temos 80% de conteúdo local. Com o Actros temos, atualmente, 52% e queremos chegar a 60% em 2014 e 72% em 2016'', afirma Ziegler.
Já a linha de veículos leves Accelo teve sua produção transferida da principal unidade da Mercedes no Brasil, em São Bernardo do Campo, para Juiz de Fora. De acordo com Linsmayer, algo necessário, já que a unidade de São Bernardo, que no ano passado atingiu uma produção de 80 mil unidades, chegou a sua capacidade máxima no setor de agregados, ou seja, precisava de mais espaço para esse segmento. ''Principalmente para máquinas de usinagem. Realmente chegamos no limite da capacidade e ficamos sem espaço para expandir. Juiz de Fora é uma extensão da fábrica de São Bernardo'', ressalta o vice-presidente.
Do montante investido na unidade foi preciso utilizar uma parte, cerca de R$ 5 milhões, para preparação de pessoal, já que os funcionários estavam acostumados a trabalhar com automóveis. Muitos passaram mais de um ano trabalhando na linha de produção em São Bernardo, enquanto os envolvidos na montagem do Actros foram para a Alemanha fazer o treinamento.
Fábrica
Ao entrar na linha de produção da fábrica, a tecnologia utilizada para montar os caminhões realmente surpreende. A começar pela utilização do Auto Guided Vehicles - veículos autoguiados Auto Guide Vheicle (AGV), um tipo de ''carrinho'' utilizado para transportar as peças para cada fase do processo. O mais interessante é que o equipamento se movimenta sem a necessidade de qualquer acionamento imediato. O AGV percorre todo o caminho em cima de uma fita magnética com informações previamente programadas sobre cada etapa. ''Você programa o roteiro e quando a carga é retirada detecta e vai para a outra estação'', explica André Luiz Moreira, diretor de produção da fábrica em São Bernardo e líder do projeto de Juiz de Fora.
Ao todo são 40 desses robôs e a principal vantagem de utilizá-los é poder manter toda a produção em andamento, independentemente do imprevisto. ''Imagine que na hora de montar um motor ele quebra e você tem que parar toda a produção para fazer o conserto. Com o AGV tira-se a peça manualmente para outro espaço e a produção continua normalmente'', afirma Moreira.
Outra inovação que reduz custos e tempo são os portais de qualidade, presentes em três etapas da produção de cada veículo, onde equipes especializadas fazem uma revisão da montagem, identificando problemas antes que o processo chegue ao fim.
Nem todas as operações são feitas por funcionários da Mercedes. Pintura, montagem de peças internas das cabines e outros mecanismos ficam sob responsabilidade de fornecedores da marca. Mesmo assim, o trabalho não fica longe dos olhos da empresa, já que foi estabelecido na planta um ''parque industrial de fornecedores'' onde estão sediadas três empresas provedoras de componentes e submontagens, possibilitando a entrega de diferentes conjuntos, em forma de kits, diretamente na linha de montagem.
É claro que para os processos mais importantes a Mercedes faz questão de ter o controle total. ''Não abrimos mão da montagem final e qualidade'', afirma Linsmayer.
- O jornalista viajou a Juiz de Fora a convite da Mercedes-Benz

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