Uma das palavras que melhor define os clássicos da marca Mercedes-Benz, sem dúvida, é luxo. São inúmeros os modelos que comprovam essa teoria, entre eles está a W116-280s, um dos automóveis preferidos dos magnatas enquanto foi produzida entre 1973 e 1980.
O encanto, tanto pela marca quanto por essa linha, permanece vivo até hoje fazendo do modelo objeto de coleção de muitos amantes do antigomobilismo. O aeronauta aposentado Diego Mauricio Diaz, por exemplo, conserva quase que totalmente original uma 280s ano 1974. O veículo está com ele há aproximadamente cinco anos.
A paixão pela Mercedes-Benz, no entanto, é bem mais antiga. Morando no Brasil há três décadas, ele lembra que tudo começou nos tempos de menino, na vizinha Argentina. ''Sempre que meu pai me perguntava o que eu queria ter quando crescesse, eu respondia um avião, um carro, uma moto, um veleiro e uma Mercedes'', recorda.
O sonho de garoto se tornou realidade nas cores verde, da carroceria, - um pouco mais escuro do que o tom usado no modelo na época em que foi produzido - e bege, dos bancos trabalhados em uma espécie de couro sintético e do painel feito em madeira. ''Além da alteração na pintura, o rádio também não é o que vinha no modelo, mas o restante do carro é todo original'', adianta Diaz.
Vale ressaltar ainda a tecnologia presente no automóvel, não só pelos freios a disco nas quatro rodas - coisa que há quase 40 anos era artigo raro - mas também pelo câmbio que, embora tenha apenas três marchas, é automático.
Fato curioso é que há cerca de 14 anos, um acidente de motocicleta fez Diaz perder o movimento de um dos braços, mas como a Mercedes já possuia o câmbio automatizado, nenhuma alteração foi necessária. ''Essa modernidade já vinha de fábrica, então o acidente nunca me impediu de dirigí-la'', diz.
Restaurar o automóvel foi uma tarefa árdua já que muitas das peças tiveram que ser importadas da Alemanha. O valor dos artigos também assusta, o jogo de juntas, por exemplo, exigiu de Diaz um investimento de R$ 1,2 mil.
O colecionador ressalta que quando a 280s surgiu, ele ainda morava na Argentina e ao observar os faróis dianteiros do automóvel, com um desenho diferenciado que ficou conhecido como ''olho de gato'', dizia a si mesmo que um dia teria esse modelo em sua garagem.
Atualmente, além da 280s o ex-aeronauta possui uma 190E e uma V8 450 e se considera um felizardo por manter os veículos. Mas quando questionado sobre qual das três Mercedes é sua favorita, responde na hora: ''Sem dúvida a 280s, porque deu início a essa coleção, é a que tenho mais carinho'', garante.

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