A marca Honda é sinônimo de motocicletas no Brasil. Durante anos, comprar um veículo de duas rodas com qualidade, sem correr o risco de errar, tinha que ser da Honda. Essa credibilidade criada junto ao consumidor ajudou a montadora a instalar no Brasil as operações de carros, que têm surpreendido os executivos da companhia com os números positivos do desempenho no mercado.
Segundo o diretor sênior Horácio Natsuneda, a capacidade da linha de produção dos automóveis Honda é de 160 mil unidades por ano. A indústria, localizada no interior de São Paulo (vide box), pretende chegar logo aos 180 mil/ano, mas ainda espera um aumento na demanda de mercado para dar um passo mais largo. ''Quem sabe num futuro mais distante não vamos chegar nos 240 mil'', acena cauteloso.
Quanto ao faturamento da empresa, Natsuneda prefere não revelar números. ''Varia muito com a taxa cambial'', esquiva-se. Mas ele dá dicas da atual situação financeira da Honda, como os percentuais de crescimento dos últimos anos. ''Nos últimos cinco anos, dá para afirmar que nós dobramos a produção. Até a crise, a média de aumento anual da produção era de 20% a 30% por ano'', explica.
Segundo Carlos Eigi Miyakuchi, diretor de produção, no período que compreende de 2005 a 2008, o crescimento da companhia aumentava paulatinamente, saindo da marca dos 17% (em 2005) para 28% e 36% nos anos seguintes, respectivamente. Mas mesmo com a crise que reduziu em mais de cinco vezes o desempenho de vendas da montadora, que foi de 7% no ano passado, o cenário é positivo.
''Como a curva estava muito vertical, em função da crise no ano passado sentimos um pouco do impacto. Mas conseguimos terminar o ano dentro do que estava previsto, no positivo'', explica Miyakuchi. Ele relata ainda que o market share (participação de mercado) da Honda atingiu 4,2%, ficando atrás apenas das ''big fours'', como são chamadas pelos concorrentes as montadoras Fiat, Volks, GM e Ford. ''Nós vendemos 125 mil unidades'', computa.
Boa parte deste desempenho se deve à localização estratégica da fábrica brasileira. Segundo o diretor sênior da Honda, o único parque industrial da montadora que fabrica carros na América Latina é o de Sumaré (SP) e isso permite um potencial de exportação estimado entre 15% e 20% da produção.
Ele afirma que são 23 países na América Latina e Central na sua lista de clientes, sendo Argentina, México e Venezuela os que possuem mais potenciais. ''Estamos com uma fábrica em construção na Argentina pensando nesse público'', completa.

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