Quem vende carro usado não está nada satisfeito com o mercado nesses cinco primeiros meses do ano. Motivada pelo incentivo à compra de carros novos, que podem ser adquiridos com baixas entradas e financiados com juros de menos de 1%, a queda nas vendas das revendas de seminovos e usados já chega a 50% em alguns casos. Mas, ruim por um lado, bom pelo outro. Quem está pensando em comprar um carro seminovo pode aproveitar o momento para conseguir descontos.
O vendedor da Kollegas Comércio de Veículos de Curitiba, Ricardo Bonvin, diz que o mês de maio foi bem complicado para as lojas de automóveis. ‘‘Se comparar com o início do ano passado, o mercado teve uma queda de uns 20%, só que, como janeiro e fevereiro são meses de férias, é normal as vendas caírem um pouco. Mas esse mês simplesmente parou. As vendas caíram de vez’’, comenta.
Para Bonvin, as taxas de juros são as principais inimigas das lojas. Enquanto as concessionárias, que trabalham com bancos da própria fábrica, podem financiar os carros com juros bem baixos, que em alguns casos nem chegam a 1%, as lojas, que dependem de financeiras, adotam juros de mais de 2%, o que acaba afastando o cliente e levando-o a uma concessionária. ‘‘Outra coisa que também atrapalha são as condições de vendas propostas pelas concessionárias. Com R$ 900,00 de entrada, a pessoa já pode comprar um carro. Já nas lojas, é preciso dar 30%, 40% de entrada para poder tirar o carro’’, explica.
Rafael Ribeiro, vendedor da Abrav Veículos de Curitiba, também diz que o mercado está parado desde a primeira alta do dólar, quando a moeda americana passou de R$ 2,00 no meio do mês de março, e, com isso, elevou as taxas de financiamento. ‘‘As pessoas estão com medo de assumir alguma dívida até a situação se estabilizar um pouco’’, justifica.
Ribeiro acredita que as vendas tenham caído 50% e que a instabilidade do mercado, aliada à propaganda excessiva das concessionárias, anunciando taxas de juros baixíssimas, são as responsáveis pelo afastamento dos clientes. ‘‘Os juros das concessionárias são mais baixos, só que os carros deles são mais caros que os nossos. O marketing excessivo em cima do valor do juro influencia as pessoas, que não analisam que os nossos juros podem ser mais altos, só que os nossos carros custam dois, três mil menos que os deles’’, explica ele, completando que antes a loja vendia 30 carros por mês e hoje está na casa dos dez.
O vice-presidente da Assovepar (Associação dos Revendedores de Veículos Automotores no Estado do Paraná) e proprietário da Cabral Automóveis, César Luiz Lançoni Santos, acredita que a fase pela qual as revendedoras independentes estão passando é consequência da situação econômica do país. ‘‘O mercado esteve um pouco retraído nesses primeiros quinze dias do mês. Só que agora é importante saber se apenas as lojas venderam menos ou se a retração aconteceu também nas concessionárias, porque a população está receosa com a instabilidade do Brasil’’, comenta.
Santos diz também que o mercado já sinalizou uma retomada das vendas, e que as negociações vão voltar a acontecer quando as pessoas se acostumarem com a situação que o país está vivendo. ‘‘A retração já mostra sinais de recuperação’’, defende. (F.O.)

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