Mercado de caminhões deve sofrer revolução
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domingo, 30 de outubro de 2011
Nelson Bortolin <br> Reportagem Local 
Se depender do apetite demonstrado por chineses e americanos durante a 18 Fenatran - Salão Internacional do Transporte, encerrado ontem em São Paulo -, o mercado brasileiro de caminhões passará por uma revolução nos próximos anos. As seis marcas consagradas há décadas por aqui terão de dividir parte do bolo com três vindas da China e duas dos Estados Unidos. Isso sem contar o fato de que várias fábricas de veículos comerciais leves estão se arriscando a produzir ou importar também caminhões.
Este é um mercado que cresce muito no País. Só para se ter uma ideia, em 2007 foram vendidas 98.695 unidades e, no ano passado, 157.633 (crescimento de 60%). Em 2011, estima-se que sejam comercializados 170 mil caminhões zero quilômetro.
A opção do transporte rodoviário de carga no País até agora foi pelas marcas europeias: Scania e Volvo, da Suécia; Volkswagen (MAN) e Mercedes-Benz, da Alemanha; Iveco, da Itália; e apenas a Ford, dos Estados Unidos. Se o cenário desenhado na Fenatran se confirmar, o mercado ficará bem mais diversificado.
As novas marcas, principalmente as chinesas, não demonstram medo do IPI de 30% que terão de pagar a partir de dezembro para importar seus veículos. Até porque pretendem se instalar no País em breve. A Sinotruk, com sede em Campina Grande do Sul, já traz veículos da China desde o ano passado. Desde então, vendeu 900 unidades do modelo Howo, por meio de 42 concessionárias.
A empresa tinha a intenção de instalar sua fábrica no Brasil em 2015, mas antecipou seus planos para 2012. A fábrica deve ficar na Região Metropolitana de Curitiba (RMC). Em novembro, seus diretores vão se encontrar com a presidente Dilma Roussef para negociar um IPI mais camarada. O governo já anunciou que pretende flexibilizar a alíquota para quem se dispuser a investir no Brasil.
Enquanto não tem fábrica em território nacional, a Sinotruk anunciou que importará, a partir de abril, três veículos da linha A7. Um deles, com motor da própria montadora de 460 cavalos. Vem com tração 6x4, podendo assim, de acordo com a legislação brasileira, tracionar bitrens e rodotrens. A ousadia chinesa é disputar um segmento seleto hoje dividido por Scania, Volvo e MAN.
Os veículos têm combinação entre motor e transmissão manual ou automatizada e sistema que alia ABS, ASR (antideslizamento), EBL (distribuição eletrônica das forças de frenagem) e TPM (monitor de pressão dos pneus). E vêm adaptados à norma de emissão de poluentes brasileira Proconve 7, equivalente à Euro 5.
Foton
Sob o comando de Luiz Carlos Mendonça de Barros, economista, ex-ministro das Comunicações e ex-presidente do BNDES no governo FHC, a Foton Aumark do Brasil vai comercializar a partir de janeiro três modelos da Linha Aumark. Por enquanto, nada de configurações pesadas.
Vai trazer um semileve, com 3,5 toneladas, e dois leves, com 6,5 e 8,5 toneladas, equipados com motores Cummins ISF 2,8 e ISF 3,8. A sede da empresa fica em Várzea Paulista, no interior de São Paulo, onde também vai funcionar sua primeira concessionária. Em janeiro, serão abertas duas outras lojas, uma na Rodovia Anchieta e outra em Guarulhos, ambas próximas à capital.
O foco da Foton no Brasil será o mercado de distribuição de mercadorias nos grandes centros urbanos, onde os mais pesados não entram. Mas a chinesa quer vender bastante. A meta é de 2 mil unidades até o final de 2012. Em 2015, quer ter 80 lojas no País, incluindo uma em Londrina. A instalação de fábrica no Brasil é prevista para 2014, em local ainda não foi definido.
Schacman
A terceira chinesa que chega para disputar o mercado brasileiro é a Schacman. Em janeiro, ela vai começar a comercializar, em sete lojas, três cavalos mecânicos e dois caminhões chassi. Mas a meta é ter 28 concessionárias até o final de 2012. Com motores Cummins, um desses veículos é o TT 420 6X4, dedicado ao segmento de extra-pesados, podendo tracionar bitrens.
Na linha de caminhões chassi, trará o LT 385 6X4 - LorryTruck (cabina e chassi) e o DT 385 6X4 - DumpTruck (basculante). Os veículos também têm motores Cummins e chegam com caixas de transmissão Fast, tecnologia Eaton Fuller, e eixos e cabine MAN.
Segundo o diretor comercial, João Capussi, a meta inicial da empresa é vender um lote de mil veículos até o final de 2012 e, num período de três anos, alcançar participação superior a 3% no mercado brasileiro.
- O repórter viajou a São Paulo a convite da Fenatran


