Mercado de batidos em alta
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sábado, 04 de outubro de 2014
Marcos Martins<br> Especial para a Folha 
O comércio de carros batidos vem ganhando cada vez mais espaço no País. Vendidos principalmente por seguradoras às lojas especializadas, os compradores interessados, que antes eram restritos a quem queria consertar o veículo e revender, vem mudando.
"A grande melhoria da capacidade técnica das oficinas reparadoras de veículos, tanto nos serviços de lataria e pintura quanto de mecânica e elétrica, deixa esses automóveis sem sinais perceptíveis de que foi batido. São grandes artistas da reparação de veículos sinistrados, portanto muita gente está comprando pra restaurar e usar, porque fica mais em conta", revela Cláudio de Lima, proprietário da Magoo Batidos, loja especializada em carros sinistrados nacionais e importados, provenientes de colisão, enchentes ou recuperado de furtos.
O custo-benefício é a maior vantagem. "Um carro assim hoje custa até 80% a menos do que o valor da tabela Fipe. Mesmo após descontar o valor gasto com o conserto, vale a pena", observa lima.
Os carros negociados nesse mercado são os chamados ITR, que significa Indenização Total Reconstrutiva. Os proprietários desses veículos são indenizados pelas seguradoras, que vendem em leilões ou para empresas especializadas do ramo. "Depois que o veículo tem a documentação regularizada, ele pode ser recuperado e colocado em circulação normalmente", explica o empresário Ricardo Mota, da Mota Salvados.
Segundo ele, o grande problema do setor ainda é o preconceito na hora de revender um carro recuperado. "Vem diminuindo bastante nos últimos anos, mas quem anuncia não pode tentar esconder a verdade do comprador. É preciso ser claro, com informações completas do que foi reparado no veículo, como o serviço foi feito e demais detalhes. Em resumo, é fundamental a sinceridade", recomenda. "Quando você mostra qual parte estava amassada e como ficou, 90% dos interessados avaliam como excelente o conserto e fecham o negócio", complementa Mota. Cláudio de Lima concorda. "É preciso transparência total na hora de revender".
O veterinário Alceu Novaes decidiu investir em um carro batido após conversar com amigos. "Eles já tinham comprado e mandado consertar e tinha ficado bem mais barato. Aí resolvi testar e gostei", explica. O primeiro carro recuperado foi há três anos. "Fui até uma loja com um amigo que é dono de oficina, que fez um orçamento e calculou quanto eu iria gastar em peças e mão de obra para o conserto. Aí negociei com o dono do veículo e o preço final foi bem vantajoso", recorda.
No início do ano, Novaes trocou de carro e, mais uma vez, apostou em na recuperação de um batido. "Fiz o mesmo esquema, mas com um modelo mais caro. A economia foi um pouco menor em relação ao primeiro negócio que fiz, mas bem abaixo do que eu gastaria comprando o mesmo modelo seminovo", calcula. Mas ele faz um alerta: é preciso cuidado com a documentação. "A procedência do veículo precisa ser conferida. Tem que estar tudo em dia para evitar dor de cabeça no futuro", recomenda.


