Economizar ou não combustível quando se deixa o carro em ponto morto numa descida tinha que ser o de menos nas preocupações dos motoristas, segundo afirmam os especialistas. A questão fica mais séria quando passa a interferir também na frenagem, deixando o carro mais inseguro, e no motor.
De acordo com Carlos Alberto Roncalio, consultor técnico da Dipave de Curitiba, o motor que está em ponto morto, ou seja, sem marcha engatada, leva um tranco muito grande quando volta para uma marcha. Isso, de acordo com o consultor, pode danificar algumas peças, como a correia dentada.
Outro ponto levantado por Roncalio é quanto à eficiência da frenagem, que não é a mesma de quando o conjunto motriz (motor e caixa) está atuando. ‘‘A reação do freio é mais lenta, vai demorar mais para frear. Isso porque, quando o carro está em ponto morto, ele está livre da atuação do conjunto do câmbio’’, explica.
Jocilei Tobias da Silva, consultor técnico da Car Way de Curitiba, também diz que o ponto morto deixa o freio mais lento, o que pode significar menos controle do motorista –em caso de precisar frear repentinamente–, menos agilidade e, consequentemente, mais risco. ‘‘Quando o motor está acionado, ele responde rápido a qualquer comando. Já em ponto morto, o freio demora mais para funcionar’’, afirma Silva.
O coordenador do curso de Engenharia Mecânica da Universidade Tuiuti do Paraná, Carlos Emílio Borsa, também concorda que o ponto morto prejudica a frenagem, já que o carro em ponto morto está sem ligação com o motor e as rodas.
Além disso, se precisar acelerar rapidamente para se livrar de uma situação, o motorista vai perder milésimos de segundos preciosos até engatar o carro novamente.

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