Meio século de velocidade
PUBLICAÇÃO
sábado, 14 de junho de 1997
Auto Press Rio de Janeiro 
DivulgaçãoA F 50 é o automóvel mais caro da marca. Tem motor V12 de 4.7 litros e 520 cv. Supera os 330 km/h Poucos teriam fôlego para se manter por cinco décadas a toda velocidade. Mas, no caso da Ferrari, não parece grande coisa. A marca italiana é tão tradicional no mundo do automóvel e da velocidade que dá a impressão de ser bem mais antiga que os 50 anos assumidos. Idade que o primeiro modelo da mítica scuderia de superesportivos completa este mês.
A Auto Avio Construzioni Ferrari - que hoje pertence à Fiat - foi fundada em 1939 por Enzo Ferrari, mas só em 1947 produziu seu primeiro carro: o 125S. O modelo era de corrida e já ostentava a cor que hoje tem a denominação Vermelho Ferrari.
Só em 1996 da fábrica em Maranello saíram 3.363 veículos - 11 deles vieram para o Brasil. Apesar de ser uma marca exclusiva, a Ferrari achou que o desempenho no Brasil estava aquém do desejável. Trocou a Via Régio pela Via Europa como representante e já teve resultados: vendeu 16 carros apenas nos três últimos meses. Os números, tanto no Brasil quanto no mundo, provam que a Ferrari não se vale de economia de escala. Desde 1947 até o ano passado, a empresa produziu apenas 77 mil unidades. Neste ano a marca do cavallino rampante mal deve ultrapassar as 80 mil unidades.
Para uma empresa que mesmo em sua terra natal tem veículos considerados caros, o modelo mais barato, a F355, custa US$ 110 mil na Itália - no Brasil sai por US$ 270 mil - a média de 1.600 carros por ano não pode ser esnobada. Ainda mais porque a produção nos primeiros anos foi irrisória. O 125S, que tinha motor V12 de 1.5 litro, só teve uma unidade fabricada. Foi substituído pelo modelo 166 ainda em 1947, que trazia as formas dos modelos de competição da época, as baratinhas, e era equipado também com um motor V12, mas de 2.0 litros. O 166 foi também o primeiro modelo da Ferrari a ser vendido, após ter ganho sua primeira corrida.
DivulgaçãoA F 550 Maranello tem motor V12 de 5.5 l e 485 cv. Atinge 320 km/h
Depois da venda do primeiro 166, a mística da marca foi só aumentando com modelos que marcaram a história da indústria automobilística. Para o sucesso da empresa, porém, um outro mito deu uma ajuda: Battista Farina, mais conhecido como Pininfarina. Em 1952, o designer assumiu os projetos de todos os modelos da marca - o primeiro foi o 212 Inter. De sua prancheta saiu o Testa Rossa 250, de 1958, um carro de corrida amansado para as ruas. Ele teve 19 unidades de passeio fabricadas e na década de 80 doou o nome para outro sucesso da marca: a Ferrari Testarossa.
Já nos anos 80, a Ferrari ganhou força em seriados de televisão americanos, como Miami vice e Magnum, nos quais a Testarossa era uma pouco discreta coadjuvante. Nesta década, aos 40 anos, a marca criou mais um superesportivo exemplar: a F40, que chegava a 320 km/h.
O modelo 166 foi o primeiro Ferrari vendido, após ganhar sua primeira corrida, em 1947
Já de olho na comemoração de seu meio século, surgiu em 1995 a F50. A F50 é o carro mais caro da Ferrari - custa na Europa cerca de US$ 600 mil e, no Brasil, US$ 1,25 milhão. Com um propulsor V12 de 4.7 litros com 520 cv, o superesportivo ultrapassa os 330 km/h.
Se a F50 é o modelo de sonhos, a Ferrari mais vendida em todo o mundo é a F355. Apesar de não ser tão exclusiva como a F50, a F355 mantém o desenho agressivo característico da marca e, com o propulsor V8 de 3.5 litros de 380 cv, atinge nada desprezíveis 295 km/h. Agora a Ferrari aposta na F550, lançada no final de 1996. Com motor V12 de 5.5 litros e 485 cv, ela atinge os 320 km/h.


