A tarefa de dirigir um carro pode ser simples para muitas pessoas. Já para outras, trata-se de uma tarefa assustadora e quase impossível. São os ''fóbicos do volante'', como prefere diagnosticar as psicólogas londrinenses Maria Zilah Brandão e Elvira Gross, que desenvolvem há dois anos um trabalho de ajuda para pessoas que têm medo de dirigir.
Atualmente, as duas psicólogas tentam quebrar este medo em 90 pacientes, distribuídos em nove grupos. ''São na maioria mulheres, que demonstram um medo exagerado de dirigir, de perder o controle do veículo, de causar um acidente e até de serem agredidas no trânsito'', revela Zilah.
Diferentemente do que se acredita, o medo de dirigir, na maioria da vezes, não é provocado por experiências traumáticas ocorridas em acidentes do passado. A maioria da pessoas que buscam ajuda são motoristas habilitados e que, durante certo tempo, passaram a evitar dirigir veículos. ''A fobia começa quando a pessoa começa a evitar o carro, dizendo que não gosta, que tem preguiça, ou que não precisa mais dirigir. A maioria não admite o medo'', explica a psicóloga.
Os primeiros sintomas de uma pessoa com problemas para enfrentar o volante começam com a ansiedade. Tremedeira, taquicardia, enjôo, sudorese e até dor de barriga também são outras sensações diagnosticadas. ''As reações são as mesmas registradas nas pessoas que sofrem de fobia social. O medo de dar vexame, de errar, de enfrentar situações de risco, de pressão, provoca desequilíbrios emocionais, nervosos e físicos que a fazem se esquivar da tarefa de dirigir'', conta Zilah.
Segundo as psicólogas, os fóbicos do volante, na maioria das vezes, são pessoas perfeccionistas, que gostam de ter tudo sobre controle e que morrem de medo de provocar acidentes ou de causar transtornos no trânsito, como um congestionamento. ''O stress do trânsito é outro ponto que intimida as pessoas. As agressões, verbais ou físicas, as ameaças e os xingamentos tornam a tarefa de dirigir mais penosa para quem já tem alguma insegurança'', diz Elvira. A visão trágica é outro pensamento daqueles que tem medo de dirigir. ''Ao se imaginarem em um carro, elas logo visualizam acidentes, tragédias e erros fatais''.
O stress no trânsito, no ponto de vista das psicólogas, é um dos fatores que a cada dia faz com que aumente o número de motoristas que desenvolvem o problema. Além de Londrina, São Paulo, Curitiba, Brasília, outras grandes cidades já contam com especialistas no tratamento do medo de dirigir.
Homens x Mulheres Entre os 90 pacientes atendidos pelas psicólogas, apenas quatro são homens. A explicação, segundo Zilah, é que as mulheres procuram mais a ajuda do que os homens. ''Além disso, os homens, desde criança recebem mais incentivos para aprender a dirigir'', diz. Outra curiosidade é sobre a idade dos motoristas fóbicos. ''Há pacientes de 21 a 68 anos, mas a média gira em torno dos 30 anos''.
O tratamento desenvolvido por Zilah e Elvira nada mais é do que um acompanhamento psicológico para pessoas que têm medo de dirigir. ''Como toda fobia, trata-se de um trabalho simples com um resultado que quase sempre dá certo'', explica Zilah. O tratamento é dividido em duas etapas. A primeira, realizada na clínica, serve para que o paciente fale sobre seus medos, suas crenças irracionais, suas reações e seus pensamentos catastróficos. ''O objetivo é amenizar ao máximo a ansiedade'', revela Elvira.
Já a segunda parte é prática. Depois da exposição dos medos e contornado a ansiedade, o motorista volta ao volante. ''Alguns hesitam em vir até a clínica quando chega a parte prática'', contam as duas. A bordo do carro, com um instrutor e com a psicóloga ao lado, começam as ''aulas práticas''. ''Não há pressão. A própria pessoa tem que saber até onde pode ir. Tudo vai depender dela'', explica Zilah. O tratamento, que dura cerca de quatro meses, mostrou-se até agora eficiente. Segundo as psicólogas, 83% de seus pacientes perderam o medo de dirigir.
Mas qual a vantagem de dirigir ? Para as psicólogas, a habilidade demonstra independência física e emocional, e garante a auto-afirmação da pessoa na sociedade.''A fobia no trânsito pode ser perigosa. O medo pode trazer risco à sociedade. Enfrentar o problema de frente é a melhor solução da fobia'', finalizam as psicólogas.

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