A paixão por Kombi não é exclusiva dos brasileiros. No Japão, por exemplo, elas também fazem o maior sucesso entre os colecionadores. É o que conta o mecânico Valdemar Alves, que há oito anos trabalha com restauração de kombis para um empresário japonês que importa os veículos do Brasil. ''Hoje em dia as coisas deram uma parada por causa dos tsunamis, mas até hoje já mandamos 28 kombis para lá. Os compradores são pessoas que têm mais dinheiro, geralmente colecionadores'', afirma.
E ter dinheiro é realmente necessário para comprar as kombis restauradas pelo mecânico. ''Em média, com todas as taxas de exportação, elas chegam ao Japão valendo o equivalente a uns R$ 55 mil e são vendidas, mais ou menos, por R$ 175 mil'', revela.
Os veículos que são comprados para restauração, geralmente, estão sem as míninas condições de uso. Mas nas mãos de Alves voltam a ser o que eram antigamente - segundo o mecânico, os japoneses só aceitam veículos fabricados entre 1959 e 1968. ''Tudo é restaurado com a utilização de peças originais da época. Muitas delas precisam ser compradas em São Paulo. Até o motor é o mesmo, e quando não funciona a gente manda retificar''.
Este é o caso da Kombi ano 1967, que está atualmente na oficina de Alves. A restauração do veículo ainda não foi concluída - faltam calotas, tapeçaria, retrovisores, a colocação do motor e dos bancos, além de outros detalhes. Mesmo assim, o furgão chama atenção e atrai olhares de quem aprecia a nostalgia automotiva.
A lataria de duas cores, a aerodinâmica da parte dianteira, o para-brisa duplo, os para-choques e a grande logomarca da Volkswagen na frente são apenas alguns dos destaques. ''Quantas vezes passa gente aí querendo tirar foto. Já fizeram até umas ofertas, mas eu falo 'essa aqui já está vendida''', conta o mecânico.
Para Alves, restaurar as kombis é muito mais do que um ganha-pão. ''É uma satisfação e acaba sendo um hobby também. A hora em que termino o serviço, fico contente. Ainda mais sabendo que o meu trabalho vai ser visto lá do outro lado do mundo'', valoriza o mecânico.
Modelo 1973
Com tantos anos de história e uma variedade grande de modelos, a Kombi não poderia deixar de ser visada também por antigomobilistas brasileiros. É o caso do supervisor de vendas Amaury Martin Filho, que tem um modelo ano 1973. Ele achou o veículo à venda há cinco anos em Santa Fé (PR).
Mesmo ''judiada'', ele decidiu comprar a Kombi com a intenção de reformar e vender. Mas no meio do processo de restauração, mudou de ideia e decidiu mantê-la como um artigo de colecionador.
Martin Filho conta que antes dele a Kombi teve um único dono durante 25 anos e até hoje funciona bem. Tanto que há dois anos ele resolveu tirar o carro da garagem e durante seis meses transportou compradores ao Paraguai. ''Fiquei incomodado em vê-la parada e tive essa ideia. A gente ia para Guaíra com a Kombi cheia e voltava com ela mais cheia ainda. Durante seis meses, ela nos deixou na mão uma vez só'', lembra.

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