Leandro Evangelista Neves, 24 anos, é de Mandaguaçu, cidade da região metropolitana de Maringá. É motorista profissional, portador de uma Carteira Nacional de Habilitação da categoria E, a qual lhe permite dirigir todos os tipos de automóveis. Até o ano passado, andava pelas estradas da região Noroeste do Paraná transportando cana-de-açúcar em um enorme treminhão.
Mas um certo gosto pela mecânica sempre acompanhou o rapaz, que começou a pensar em trocar de profissão quando ouviu falar sobre mexer com motores de aviões. Fez as malas e desembarcou em Londrina, deixando distante os pais e a namorada. Hoje Leandro mora, junto de outros três rapazes, no alojamento do Aeroclube de Londrina, onde é um dos alunos do curso de mecânica de aviação. Paralelamente, trabalha em uma companhia aérea como auxiliar de rampa e bagagem para se manter.
Numa das tardes geladas e chuvosas da última semana, o encontramos aproveitando o dia de folga no emprego para estudar. Mergulhado em livros, ele conta que o esforço para estar em dia com a parte teórica deve-se à banca que os estudantes enfrentam após o curso para conseguirem a devida habilitação para ingressar em uma companhia aérea. ''O curso nos ensina muito bem, inclusive a parte prática. Mas quem não souber a teoria não passa na banca'', comenta.
Leandro já concluiu o curso básico, que dura quatro meses, e agora estuda o módulo que ensina a trabalhar com o Grupo Moto-Propulsor (GMP), de oito meses de duração. Depois disso, pode encarar a banca da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) - realizada em São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ) ou Brasília (DF) - para conseguir o Certificado de Conhecimento Técnico (CCT).
Em seguida, terá que trabalhar durante três anos na área para finalmente obter o Certificado de Habilitação Técnica (CHT). Mas antes de começar a trabalhar, provavelmente ele terá de fazer também um outro curso de oito meses, que ensina sobre a parte estrutural, hidráulica, elétrica e pneumática do avião - chamada de célula -, que também dura oito meses. ''As companhias andam exigindo esses conhecimentos dos que nelas desejam ingressar'', informa o professor João Alberto Magalhães, 33, instrutor do Aeroclube.
Há mais de 10 anos atuando na área, o instrutor conta que começou a trabalhar na capital paulista, sua cidade natal, como mecânico de helicóptero. Depois, tornou-se funcionário da Vasp e foi destacado para trabalhar em Londrina, onde continua até hoje, fazendo parte do quadro da Gol, como inspetor de manutenção. Durante esse tempo, tem acompanhado a evolução do transporte aéreo no Brasil, que cresce em números de passageiros e voos de forma desproporcional à infraestrutura aeroportuária e ao número de gente para trabalhar com os aviões - pilotos e mecânicos.
Por isso, a procura pelo curso de mecânico de aviação do Aeroclube de Londrina é tão grande. São 40 vagas e sobram interessados. A mensalidade gira na casa dos R$ 250. Exige-se o ensino médio completo.
As chances de emprego são boas com o curso concluído. O rendimento médio de um mecânico de avião é de R$ 2 mil. Mas há um porém. ''A aviação é nacional. Quem não está disposto a ficar longe de casa e da família é melhor procurar outra coisa'', alerta Magalhães.

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