Maverick 75 é uma paixão
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sábado, 18 de julho de 1998
Jackeline Seglin 
Há 24 anos ele é apaixonado por Mavericks e hoje essa admiração foi passada também para filhos e netos. O professor José Benedito Iglesias Prestes, 55 anos, é dono de um Ford Maverick GT 1975, amarelo citrino com detalhes em preto, motor V8, comprado por ele em 1983. Uma preciosidade!
Mas, o que tanto encanta esses aficcionados por carros e modelos mais antigos que já não são as principais vedetes das ruas e estradas? A paixão, segundo Prestes, é difícil de explicar. Por que, por exemplo, as crianças gostam tanto? Por que as pessoas param na rua para ficar olhando e admirando? Eu sei é que a mística do V8, principalmente o canadense, que tem potência maior. Mas não é só isso, observa.
O Maverick já faz parte da família de Prestes. Este carro é cinco anos mais velho que meu filho caçula, que praticamente se criou dentro dele, conta. Meus netos adoram e muitas crianças na rua também, tanto que pedem: dá uma queimada aí, tio, orgulha-se.
Prestes conta que em Londrina, o pessoal do Maverick se reúne sempre e é bastante unido, apesar de ainda não ter um clube formado. O professor acredita que os donos de Mavericks são pessoas realmente sensíveis. Somos meio poetas!, diz. Para ele, o carro vira uma espécie de identidade e muita gente passou a conhecê-lo por causa do Maverick amarelo.
A magia do Maverick para as pessoas é visível quando, na rua, o carro passa com aquele ronco característico do motor. Dificilmente alguém deixa de olhar. Toda esquina em que eu paro tem uma pessoa que admira ou pergunta se eu quero vender. Esse não!. Esse já é da família, brinca.
O modelo GT 75 é o segundo carro deste tipo que Prestes comprou. Ele faz questão de frisar que tudo no automóvel é original, inclusive motor e contagiro. Sem falar nos bancos especiais, no ar condicionado e no auxiliar de freio hidrovácuo. Esse carro tá melhor que muito carro mais novo, diz.
Problemas com manutenção dificilmente acontecem com o Maverick. Pelo menos é o que tem comprovado José Benedito Prestes. É o contrário do que muita gente pensa. Quando acontece alguma coisa, levo o carro numa oficina especializada, na qual o cara entende tudo de Maverick. No fundo, a manutenção acaba saindo mais barata. As peças eu mando buscar fora e em poucos dias dá para fazer a reposição. E para se garantir, Prestes anda prevenido: tem reservado outro motor do carro com ignição eletrônica e hidromecânica.
O maior atrativo do Maverick é, com certeza, é o motor. Um carro destes chega a atingir mais de 200 quilômetros por hora, fala, empolgado. Mas a definição das linhas e a beleza plástica também contam. Esses carros modernos são quadrados ou redondos demais e os mais enfeitados são feios.
Depois de 15 anos com o mesmo carro - que ele usa para trabalhar -, Prestes está deixando seu Maverick de herança para o filho. Só assim admite para passar a máquina para frente.


