''O maior problema é a falta de manutenção preventiva. As pessoas só procuram uma oficina quando o consumo já é muito alto ou quando o carro é guinchado.'' A situação é extrema. Mas a constatação do presidente do Sindicato das Indústrias de Recuperação de Veículos e Acessórios do Paraná (Sindirepa), Wilson Bill, há 32 anos trabalhando como mecânico, é unanimidade entre os profissionais do ramo.
A primeira recomendação, para evitar que o carro se torne em um ''beberrão'', é realizar revisões periódicas em oficinas de confiança dos proprietários. Neste ponto, eles ressaltam a importância de trocar o óleo, filtro de óleo e de ar no tempo indicado para cada veículo. Até algum tempo atrás, só com estes dois cuidados, o motorista já tinha grandes chances de manter o consumo do seu veículo em níveis normais. Nos últimos anos, entretanto, a má qualidade da gasolina, adulterada com o uso de produtos químicos como solventes, por exemplo, além de reduzir a vida útil dos veículos, também resulta em aumento no consumo.
Segundo João Luiz Szymkoviak, responsável pela Alfacar Auto Elétrica e Mecânica, há 26 anos no ramo, não existe mais uma quilometragem padrão para se fazer a regulagem do motor. ''Com a má qualidade do combustível, recomendamos que a pessoa vá à oficina a cada seis meses para fazer uma descarbonização'', diz. A carbonização, entretanto, não é causada apenas por combustível de má qualidade.
Um grande vilão do aumento do consumo são as distâncias curtas, até quatro a cinco quilômetros. Um veículo de motor frio gasta até 30% mais gasolina do que outro com o motor quente. E não adianta esperar parado até o carro esquentar. ''O consumo só estabiliza depois que o motor está quente'', diz o gerente de Assistência Técnica da Florença Veículos, Mário Souza de Oliveira Junior, lembrando que os sensores do sistema de injeção eletrônica são responsáveis por informar a quantidade de combustível a ser liberada.
''Essa história de que carro de mulher é melhor é questionável'', brinca Bill, alertando que uma pessoa que faz apenas trajetos curtos, normalmente dentro da cidade, gasta mais combustível e provoca maior sujeira no motor. Isso acontece porque a temperatura não esquenta o suficiente para queimar todo o combustível, que acaba carbonizando dentro do motor. Por isso, recomenda-se que essas pessoas façam revisões em períodos mais curtos do que aquelas que viajam.
Outros fatores também influem no consumo. ''Entre 95 a 98% das pessoas que reclamam que o carro está gastando muita gasolina é por falta de informação'', diz Oliveira Junior. Ele garante que ''cada pessoa tem um jeito de dirigir e vai ter um desempenho diferente do mesmo carro''. Como exemplo, ela cita um cliente que chegou na oficina na última semana reclamando que seu Palio 1.0 estava andando apenas 7 km/litro. Como carro não tinha nada de errado, ele saiu com o cliente pela cidade e, após rodarem 51 quilômetros, ele alcançou um rendimento de 13 quilômetros por litro.

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