''Esta proibição não tem mais sentido. Está na hora de reverter isso'', diz o engenheiro da Bosch, Sidney B. Oliveira Junior. Ele lembra que, além de reduzir os problemas ambientais, o Brasil também conseguiu reverter a situação de dependência do petróleo estrangeiro. E com a extração do pré-sal será ainda mais auto-suficiente.
Para ele, a liberação é uma questão de liberdade de escolha. ''O consumidor tem que ter o direito de escolher'', defende Oliveira. As vantagens para o consumidor são muitas. Além do custo mais baixo do combustível em relação à gasolina e menor consumo por quilômetro rodado, o carro a diesel tem mais torque e potência, além de ser mais resistente.
Isto acontece, segundo ele, porque o carro a diesel exige um motor mais robusto, e que, consequentemente, gera menos manutenção. ''Para fazer um comparativo, um veículo a gasolina dura uns 100, 150 quilômetros, sendo necessário fazer uma retífica ou manutenção mais específica. Um veículo a diesel dura no mínimo três vezes mais'', diz. Picapes e caminhões leves têm duração até cinco vezes maior do que um veículo a gasolina e caminhões pesados têm durabilidade dez vezes maior'', explica.
A desvantagem é o preço, já que o veículo a diesel vai custar entre 10% a 30% a mais do que um a gasolina ou flex. O custo inicial de aquisição, no entanto, tem um retorno rápido em função da durabilidade e baixo custo de manutenção. Por isso, segundo ele, o veículo a diesel tem maior demanda entre pessoas que rodam mais. ''No Brasil, o importante é ter esta liberdade de escolha. Para um taxista, por exemplo, que roda mais de 25 mil quilômetros por ano, já é vantajoso um veículo a diesel''. diz.
Em função do preço, a estimativa é que o mercado para carros a diesel seja bem restrito, de apenas 50 mil veículos dentro de uma produção média, hoje, de 3 milhões de carros por ano.
Oliveira ressalta, ainda, que a liberação dos carros a diesel no País também refletiria em geração de empregos e investimentos não apenas na indústria automotiva, de forma a se qualificar para atender este novo mercado, como também na área de serviços, já que as oficinas mecânicas, por exemplo, também teriam que se adaptar. ''Toda cadeia industrial teria que investir em treinamento, equipamentos e mão de obra qualificada'', diz.

mockup