Tranquilidade é mesmo um dos pré-requisitos para enfrentar o tráfego diário. Taxista há 13 anos - com uma interrupção durante o período em que morou em Portugal -, Marlene Pereira Gonçalves, de 39 anos, garante que não se estressa. "Eu tenho muitas clientes sozinhas, de idade, levo para fazer compras, faço muito a 'dama de companhia'", conta. Segundo Marlene, o fato de ser mulher gera os mais variados tipos de reações dos clientes, de surpresa a preconceito, este último, mais frequente por parte de mulheres.
"Já aconteceu de ficarem falando 'nossa, não sabia que era mulher, será que vou?', mas no final já me deram até parabéns", conta ela. Entre os colegas de profissão, a taxista e as outras colegas mulheres também têm que superar desafios, já que são minoria. Segundo ela, suas opiniões comumente geram polêmicas. Porém, a garra para enfrentar a jornada diária de 12 horas coloca as mulheres em pé de igualdade com os homens. Marlene acredita ainda que o cuidado com a higiene e o conforto do carro sejam pontos positivos de seu trabalho.
"Eu mesma levo meu carro para manutenção; tenho um Cobalt, que é espaçoso e econômico. Não dá para comprar carro muito barato e não ser confortável para o cliente", explica. No caso de Marlene, a profissão veio do pai, que também trabalhou com táxi e, embora goste do que faz, ela não esconde o desejo de retomar a antiga atividade profissional de empresária.
"Eu já trabalhei com eventos, já tive loja de artesanato peruano e indiano. Eu penso em, futuramente, abrir uma loja de roupas femininas", revela. (C.F.)

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