Mais moderno e brasileiro
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sábado, 18 de abril de 2015
Cecília França<br> Reportagem Local 
Tuiuti (SP) - Há cinco anos, a chinesa Chery anunciou a construção de uma fábrica no Brasil, em Jacareí (SP). Na última semana, a montadora revelou o primeiro produto saído desta planta, o novo Celer. Mais moderno e bem equipado, o modelo não deixa a desejar frente aos concorrentes famosos. Em outras palavras, o Celer está no páreo em um dos segmentos mais disputados do mercado, que emplacou nada menos que 672.107 unidades em 2014.
Para se ter uma ideia, ar-condicionado, computador de bordo, ajuste elétrico dos retrovisores e faróis e sensor de estacionamento traseiro são itens de série no Celer. Tanto o modelo hatch quanto o sedã compacto contam com motorização 1.5 e versões completas batizadas de Act. Nelas, passam a ser de série rádio MP3 com CD player, conjunto de 6 alto-falantes e rodas de liga leve aro 15. Também é possível optar pelo sistema multimídia I-Connect, por R$ 1,8 mil, incluindo GPS, Bluetooth e TV digital.
De cara, gostamos mais do Celer, menos arredondado que na versão anterior. Os faróis ganharam desenhos bem mais marcantes e a grade dianteira perdeu o vinco unido pela logo da Chery, que continua centralizada, mas mais discreta e elegante. O acabamento preto abaixo do para-choque dianteiro agora une os faróis de neblina nas versões Act. As rodas ganharam novos desenhos; a traseira conta com linhas mais marcadas e lanternas de LED.
No sedã, as lanternas invadem a tampa do porta-malas, que também traz uma inovação. A abertura da tampa acontece de forma modular, com elevação da tampa e do vidro traseiro, facilitando o acesso ao amplo espaço interno de 450 litros.
O interior saiu dos anos 1990 para a segunda década do século XX. O console, antes quadrado, ganhou desenho geométrico, com detalhes em cinza e acabamentos cromados nos botões, além de mais porta-objetos (o veículo tem 18, no total). As saídas de ar condicionado agora estão posicionadas acima do sistema multimídia. O material utilizado ainda parece frágil, mas tem toque agradável e é firme. O painel está posicionado de forma mais visível e ganhou uma estrutura hexagonal ao redor do conta-giros e do velocímetro. A fonte e a cor escolhidas para o computador de bordo, no entanto, ainda dificultam a visualização das informações.
O Celer hatch parte de R$ 38.990 na versão de entrada e chega a R$ 40.990 na Act. O sedã custa R$ 39.990 e R$ 41.990, respectivamente. A expectativa da montadora é que a carroceria maior ocupe entre 30% e 35% das vendas. Diferente dos concorrentes, ele não oferece versão 1.0, embora a Chery não descarte produzi-la no futuro.
O Celer também não possui versão com câmbio automático nem automatizado. Segundo o diretor de qualidade da montadora, Luciano Resner, a marca possui a tecnologia para produzir o último, mas identificou resistência do consumidor brasileiro. "Estamos buscando uma alternativa CVT, a médio prazo", informa.
Ainda paira sobre o modelo o estigma da marca chinesa. Para superar a desconfiança dos consumidores, a Chery vai investir em uma campanha maciça de divulgação da fábrica nacional e no argumento de que aplica a mesma qualidade dos concorrentes. Com isso, espera vender 10 mil unidades do Celer apenas este ano. Atualmente, o índice de nacionalização das peças e componentes é de 35%, mas o objetivo é alcançar o dobro em pouco tempo.
"Buscaremos a médio prazo fornecedores da China para produzirem aqui", revela Resner. O vice-presidente da montadora, Luis Cury, destaca os investimentos realizados como uma prova de que a marca confia na retomada da economia brasileira e pretende se fixar em terras tropicais.
"Sabemos que o momento não está fácil, mas somos uma fábrica e teremos centro de distribuidores e de pesquisas. Nossos investimentos são duradouros, uma garantia de que confiamos no Brasil", declara. Resta à Chery conquistar confiança recíproca dos brasileiros e atingir a parte do mercado que lhe cabe.
N A repórter viajou a convite da Chery Brasil.


