Um veículo de luxo que já encantava as pessoas na década de 40. Assim é o Ford Mercury que o engenheiro Irineu Augusto de Mello tem o orgulho de apontar como um dos xodós de sua coleção, hoje com mais de dez automóveis. Ele mesmo se define como um viciado por antigomobilismo, sendo um dos membros fundadores do Clube do Carro Antigo de Londrina.
Na cor vermelha com frisos prata, o veículo de 1946 costuma chamar a atenção por onde passa. Também não é para menos. Segundo Mello, o automóvel foi projetado para ter todo o conforto disponível à época. ''Quando saio passear sempre tem alguém perguntando o preço ou querendo saber sobre o carro, porque é algo diferente do que se tem hoje'', diz o engenheiro.
Peças originais, importadas dos Estados Unidos, motor V8 com 100 cavalos de potência, parte interna pintada em um tom dourado fosco. Tudo isso confere charme e imponência ao automóvel. Outro destaque é um ventilador junto ao painel - tido como o ar-condicionado e diferencial de conforto nos anos 40.
Além da pintura - a cor era verde -, o Mercury de Mello sofreu apenas mais uma alteração em comparação com o que saiu de fábrica: a parte elétrica foi de seis para 12 volts. ''Alterei a parte elétrica para facilitar a manutenção, caso seja necessário. Quando eu era garoto, meu pai tinha um carro deste na cor verde e meu vizinho um vermelho. Embora gostasse do nosso, sempre achei o do vizinho mais bonito'', brinca.
Mello não nega que o Ford Mercury marcou sua vida, desde os tempos de garoto, e isso de alguma forma contribuiu para que adquirisse exatamente o modelo que hoje tem na garagem. ''Comprei o carro em 1974 de um senhor de Arapongas (Norte) e ele nunca precisou de uma reforma por estar estragado. Cismei de pintá-lo assim, levei quatro anos para deixá-lo do meu gosto'', revela. Detalhe: peça por peça - incluindo paralamas, capô e portas - foi retirada e recebeu pintura individual.
Os quase 38 anos de união entre proprietário e veículo atestam a paixão que o engenheiro nutre e que o Mercury parece corresponder à sua maneira. Afinal, nesse tempo todo, além da reforma não ser necessária, o motor ainda mostra muita disposição. ''Ligo o carro com um copo cheio de água no capô e garanto que não perderei nenhuma gota, tamanha a regulagem deste motor'', desafia destemidamente.
Amor e passado se confundem na garagem onde o Mercury fica guardado em meio a outros automóveis. E toda vez que olha para sua coleção, boas lembranças alegram o dia do engenheiro, como ele mesmo faz questão de dizer. ''Meus carros sempre lembram o passado. No caso do Mercury, são as viagens com o meu pai. Me lembro uma vez que estávamos voltando para casa em São Paulo, quando os outros carros começaram a buzinar. De início não entendemos, depois fomos ver que o bagageiro estava aberto e perdemos coisas pelo caminho'', relembra ele ao mostrar o espaçoso porta-malas do veículo.
Com tanto tempo dedicado às antiguidades com rodas, o engenheiro só faz uma queixa. Para ele, estão acabando os mecânicos que conseguem dar conta dos desejos de antigomobilistas. ''Hoje está tudo muito eletrônico, antes você mandava para a mecânica e o responsável conseguia identificar o problema de ouvido e encontrar a melhor solução'', aponta.

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