Londrinense produz peças para jipes
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sábado, 13 de agosto de 2011
Vinícius Fonseca <br> Reportagem Local 
Seu ponto forte nunca foi o conforto. Ainda assim, o jipe Willys ganha cada vez mais admiradores. Produzido no Brasil pela Willys Overland (1957-1968) e pela Ford (1968-1983), com o passar dos anos suas peças foram ficando cada vez mais difíceis de ser encontradas.
Mesmo com todos os empecilhos para quem mantém um veículo assim na garagem, o jipe ainda conserva seu carisma e a paixão de pessoas que curtem o estilo off-road. Observando esse cenário, Edson Scalassara, proprietário da Comércio e Indústria de Ferragens Londrinense (Cinfel), conta que há 25 anos iniciou sua empresa de corte e dobra de chapas em geral. Depois de algum tempo começaram a surgir pedidos por peças de automóveis antigos, principalmente do Willys no modelo CJ5. ''Começamos a investir forte mesmo no setor de carros antigos no início dos anos 90'', lembra.
Scalassara diz que são produzidas peças como a carroceria, o caixote, o quadro de para-brisa e a tampa traseira do CJ5; o paralama, o capô, o quadro de para-brisa com ventarola para o CJ3, além dos assoalhos para os dois modelos, entre outros equipamentos. Também são feitas peças para camionetes Ford e Chevrolet e para jipes Engesa. ''Hoje produzimos os jipes 51, 53 e 54 completos, todos em chapa de aço. No caso do modelo mais novo (CJ5), ainda não fabricamos a parte dianteira, mas logo estaremos produzindo'', afirma.
Conhecedor da história dos veículos para os quais produz peças, Scalassara revela que uma produção em grande quantidade só é possivel devido a muita pesquisa de materiais especializados, além de contatos com colecionadores e procura em desmanches e autopeças.
Seja para produzir, melhorar, restaurar ou simplesmente fornecer peças de jipes para montadoras, a empresa procura atender a demanda que aumenta a cada ano, segundo o proprietário. Para fazer chassi, suspensão e lataria, o preço chega a quase R$ 16 mil. ''Apesar de ser um veículo rude e bruto, o jipe ainda é muito procurado até mesmo por mulheres. O mercado está em franca evolução. Produzimos, por exemplo, em média duas carrocerias do CJ5 por mês, o que é algo considerável'', conta Scalassara.
Na garagem
Quem não conhece o trabalho feito na Cinfel pode conferir um pouco da produção dentro da própria empresa. Jamerson Gimenez Scalassara, um dos filhos de Edson Scalassara, é proprietário de um jipe Willys, ano 1962.
Em relação ao original, o veículo apresenta algumas alterações na mobilidade do banco e na supensão e direção hidraúlica. Tudo para dar mais conforto ao seu usuário.
''As alterações na carroceria para tornar possível o afastamento dos bancos são opções que damos ao nosso cliente. Mas, se a pessoa solicitar que tudo seja feito originalmente, nós fazemos'', explica Scalassara. ''Como sou grande, o banco móvel e em concha foi melhor para mim'', justifica Jamerson.
Quase um garoto propaganda dos negócios do pai, ele se diz ''louco'' por jipes e afirma que essa paixão se deve muito aos tempos de menino, quando via esses veículos sendo preparados. ''É um carro que você usa tanto na cidade quanto nas estradas de terra. Hoje sou feliz por ter um'', revela Jamerson.


