Londrina tem fábrica de jipe
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sábado, 06 de julho de 2002
Mauricio Della Barba 
Londrina já tem as credenciais para ser mais um integrante do pólo automotivo paranaense. A Engenharia de Veículos e Reboques Ltda fabrica na cidade, desde 1999, os jipes Envesa. No comando da pequena fábrica estão os sócios Rosnel Leite e Edson Scalassara, que arremataram em leilão peças e equipamentos da Engesa, que montou o jipe entre 1985 e 1993.
''Foi algo desafiante. Juntamos a experiência pessoal de cada um para tornar o sonho em realidade'', diz Leite, um experiente mecânico e especialista na montagem e reforma de veículos Willys e DKW. A fábrica da Envesa fica localizada próximo ao Estádio do Café e ainda está sendo preparada para iniciar a produção em série do jipe.
Desde 1999 a montagem do modelo é feita de forma artesanal e bastante tímida. ''Preferimos não divulgar muito em virtude de nossa capacidade de produção. Na verdade, lançamos o Envesa em 1999 durante a feira Brasil Off-Road, em São Paulo. Desde lá, estamos com fila de espera para a compra do veículo'', explica Leite.
Os sócios esperam dar a partida na produção seriada a partir de agosto próximo. ''Algumas das peças utilizadas no Envesa estão sendo produzidas localmente. Isso requer mais estudo e uma avaliação dos protótipos'', conta o sócio Scalassara, que também é proprietário de uma metalúrgica na cidade. A previsão inicial é de montar cerca de cinco veículos por mês na fábrica.
O Envesa londrinense, basicamente, segue as linhas originais do antigo Engesa 4. As peças do chassi, carroceria, capota, freios, lanternas e suspensão são feitos pela própria empresa. Até o começo deste ano, o motor utilizado no jipe era o Maxion 4.0 diesel de 95 cv, que equipava a Chevrolet D20 e Silverado. Para os novos utilitários a serem produzidos, o propulsor será o mesmo utilizado na Ford Ranger, um 2.8 turbodiesel de 136 cv. ''A maior vantagem do Envesa é que ele incorpora peças utilizadas na maioria dos carros em uso no País, o que facilita e barateia a manutenção, que também pode ser feita por qualquer mecânico'', aponta Leite.
A tração 4x4 do jipe é acionada através de uma alavanca ao lado do câmbio e também com a acoplagem das rodas livres de forma manual. A suspensão do Envesa é outro ponto positivo, segundo os sócios. Tanto na dianteira como na traseira, o jipe traz amortecedores hidráulicos de dupla ação com molas helicoidais. Outras picapes e utilitários do mercado adotam o feixe de molas na traseira. ''As molas na traseira são mais eficientes no 4x4 e possibilitam um conforto melhor a bordo para os ocupantes'', diz o sócio.
O Envesa oferece um dos melhores desempenhos ''off-road'' do segmento, como os ângulos de entrada e saída, que são de 70 graus e 44 graus, respectivamente.
De série, o Envesa traz direção hidráulica, capota de lona, farol de neblina, Santo Antonio, vidros verdes e bancos de couro. Quanto as cores disponíveis, são sete: branco, vermelho, verde, azul, preto, amarelo e bege.
O Envesa é vendido em apenas uma única versão, ao preço de R$ 47 mil. A entrega, segundo Leite, é de 60 dias após a confirmação do pedido. ''Nossos clientes em potencial são os amantes do off-road e os que procuram um veículo para o trabalho capaz de enfrentar a lama e as adversidades com um custo baixo'', diz Leite.
Os dois sócios dizem que já receberam propostas de compra do veículo por parte de países da Afríca e do Oriente Médio. ''Como o nome Envesa é semelhante ao antigo Engesa, muitos dos antigos compradores ainda querem o produto para equipar suas forças militares'', explicam.
O dinheiro investido na Envesa foi totalmente obtido por Leite e Scalassara. ''É bom frisar que não recebemos apoio e muitos menos incentivos fiscais ou econômicos de qualquer governo local, estadual ou nacional. Essa fábrica saiu de nosso suor'', afirma Leite.
Sobre as desvantagens do jipe que fabrica, os londrinense são diretos: ''O maior problema do Envesa é que fabricamos poucos para um número grande de pedidos'', finaliza.


