Curitiba - Estilo de carro de corrida, mas com conforto de automóvel de passeio. A descrição pode não ser das mais originais, mas se encaixa perfeitamente ao Lobini H1, modelo esportivo de produção nacional que, competindo com similares importados, tenta se estabelecer no mercado. Conversível com dois lugares, ar condicionado e sistema de som de série, motor 1.8 turbo, o Lobini chama a atenção pelo design arrojado e impressiona pela potência e estabilidade.
Criado em 1999 pelos empresários José Orlando Lobo e Fábio Birolini, o Lobini H1 foi inspirado em modelos esportivos europeus, como o inglês Lotus Elise, entre outros. No fim de 2005, a marca Lobini e a fábrica localizada em Cotia, na Grande São Paulo, foram adquiridas pelo empresário Antônio Ermírio de Moraes Filho, presidente da Brax Automóveis. ''Hoje, esse é o único modelo esportivo produzido no Brasil'', afirma Moraes Filho. ''Já tivemos carros como o Puma e o Miura, mas com a entrada dos veículos importados no mercado brasileiro, os fabricantes tiveram dificuldades e interroperam a produção.''
Para o empresário, o Lobini se diferencia de seus antecessores por uma questão básica. ''O grande mistério ao se produzir um carro é conseguir equilibrar performance, segurança e conforto. Nós, com o Lobini, conseguimos isso'', afirma.
No último dia 29, a convite da empresa, a reportagem da FOLHA testou o esportivo nacional. Duas voltas no circuito do Autódromo Internacional de Curitiba bastaram para sentir do que o Lobini é capaz. Logo de cara, o que chama a atenção é o design do carro. A abertura vertical das portas é uma das características que mais se destacam.
O visual de carro de corrida, ressaltado pelos santo-antônios aparentes e pela baixa ''estatura'' do veículo, não afeta de forma alguma o conforto do motorista. Bancos reclináveis e direção hidráulica com ajuste de altura e profundidade ajudam na sensação de bem-estar ao guiá-lo.
Mas as semelhanças com um automóvel de competição aparecem mesmo quando se começa a acelerar o Lobini. O motor 1.8 turbo de 180 cavalos dá uma grande capacidade de arranque ao veículo, que registra aceleração de 0 a 100 km/h em menos de seis segundos. Na reta de chegada do autódromo, passa-se dos 200 km/h sem grandes dificuldades. Nas curvas, além da estabilidade total possibilitada pela aerodinâmica do veículo, o Lobini mostra potência na retomada de velocidade.
Mesmo aprovado por quem o dirige, por enquanto apenas 25 Lobinis H1 circulam pelas ruas de cidades brasileiras. O motivo: cada unidade sai, em média, por R$ 170 mil. Por isso, a empresa comandada por Moraes Filho investe em campanhas promocionais para divulgar o veículo. E, apesar de competir no mercado com belos modelos importados, aposta em um detalhe para atrair mais compradores: o custo da manutenção. ''As peças dos importados custam muito caro. Quando você vai fazer a manutenção do Lobini é que sente a diferença'', garante o empresário.

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