Curitiba - Acelerar um carro de corrida em pleno autódromo é um sonho de quem gosta de automobilismo. Algo que a FOLHA teve a oportunidade de fazer com um carro do recém-criado Trofeo Linea, categoria que passou pelo Autódromo Internacional de Pinhais na semana passada.
Baseado na versão T-Jet de rua, o Linea de competição recebe preparação especial para as pistas. O interior, totalmente depenado, é dominado pela gaiola de segurança e conta com banco concha com cinto de seis pontos, um pequeno painel digital, volante removível e uma enorme alavanca do câmbio.
O motor é preparado pela Abarth, divisão esportiva da fábrica italiana. Com turbo de maior dimensão, mudanças na injeção eletrônica e adoção do etanol como combustível, a potência do motor 1,4 litro passa dos 152 cavalos da versão ''civil'' para respeitáveis 215 cavalos. Para aproveitar o torque, ganha câmbio sequencial de seis marchas. As mudanças restantes são na suspensão, com amortecedores Koni de curso bastante reduzido; na adoção de rodas aro 16 e pneus Pirelli 235/65 - slick ou biscoito, dependendo das condições climáticas -; e na utilização de pinças de freio Brembo de competição. Pronto para a pista, o carro perde mais de 200 quilos em relação à versão original.
Se externamente o carro é praticamente idêntico ao de rua, as diferenças tornam-se perceptíveis já na hora de assumir a direção. A exemplo do que acontece com alguns esportivos, o piloto precisa se abaixar para chegar até o banco, fixo em posição mais recuada que a habitual. A visibilidade, mesmo para a frente, é bastante limitada, e o calor provocado pelo conjunto balaclava-capacete incomoda. Cinto afivelado, volante colocado, chama a atenção o fácil acesso aos principais comandos.
Motor ligado, primeira marcha acionada, acelerador pressionado e na hora da arrancada o carro dá um tranco e desliga. Procedimento repetido e, ainda que engasgando, o Linea percorre a área dos boxes da pista curitibana. Então surge outra surpresa, na hora de trocar a marcha. Sem precisar usar a embreagem nas trocas ascendentes, basta puxar a alavanca de câmbio para trás para a próxima marcha entrar, mas é preciso fazer mais força do que o esperado para a transmissão responder ao comando.
Já na pista, destaca-se a elasticidade do motor, que permite fazer praticamente todas as curvas em terceira ou quarta marcha. E também os solavancos, sentidos especialmente nas região lombar, a cada mínima imperfeição da pista. Sem poder acelerar para valer na longa reta, respeitando a velocidade imposta pelo carro-madrinha, a diversão fica para as curvas, vencidas com galhardia pelo Linea. Nessa hora, a suspensão, que garante total equilíbrio e controle do veículo, compensa os maltratos à coluna.
Depois de apenas duas voltas, chega a hora de parar nos boxes e deixar de lado o papel de piloto, agora com respeito e admiração maiores por esses profissionais.

mockup