Lavar o carro: um hobby que resiste ao tempo
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sábado, 26 de março de 2005
Erika Zanon<br> Reportagem Local 
Hábito, passatempo, economia ou paixão por automóveis? Seja qual for o motivo, a verdade é que muitas pessoas ainda mantêm o costume de lavar carros em casa. As cenas deixaram de ser comuns nas grandes cidades, mas basta uma pequena volta pelos bairros de Londrina para observar que inúmeros motoristas ainda cultivam esse comportamento.
Os materiais usados para a limpeza são bastante simples e tradicionais: água, mangueira, balde e sabão neutro. Um ou outro motorista mais aficionado dá um trato mais completo na máquina: encera, passa aspirador de pó por dentro, aplica silicone no painel e usa um produto especial para os pneus.
''Particularmente eu gosto de lavar meu carro em casa. Tenho um cuidado todo especial, olho cada detalhe por fora e por dentro'', ressalta o balconista Claúdio Sílvio, que pelo menos uma vez por semana lava o carro em casa. Como vantagens, cita a oportunidade de verificar se o automóvel está com algum problema, se tem riscos ou amassadinhos, e se existem peças soltas. Detalhes que, segundo ele, passariam despercebidos na maioria dos postos ou lava-rápidos.
Para a limpeza, Sílvio não utiliza nenhum produto especial. Ele recorre aos materiais básicos como água e detergente neutro. Depois de lavar e secar, com um pano bem macio, o balconista encera a lataria do veículo, passa silicone no painel e usa um produto para deixar os pneus pretinhos. ''Eu sou enjoado, por isso gosto de fazer tudo pessoalmente'', observa.
Como desculpa para não mandar lavar o carro em postos ou lava-rápidos, o motorista enumera algumas desvantagens: muitas vezes eles prometem o carro limpo para um horário e não cumprem o compromisso e, além disso, não tiram as sujeiras dos cantinhos.
A justificativa do estudante Felipe Rafael Guandaline, também adepto do grupo que lava o carro na garagem de casa, é bem parecida com a de Sílvio. ''Eu gosto de lavar o meu carro. Isso pra mim é como um hobby'', diz. Ele adquiriu o hábito com o avô, outro apaixonado por veículos, e uma vez por semana coloca ''a mão na massa'' com o simples objetivo de deixar o carrão brilhando.
Segundo ele, na maioria das vezes a limpeza é bem geral. Porém, quando tem tempo, chega a ficar o dia todo ''alisando'' a Parati 1991. ''Tiro até os bancos, mas não deixo um único cantinho sem limpar. Lavo, seco, encero e deixo brilhando o painel e os pneus'', destaca o estudante. Ele conta que não dispensa totalmente os serviços de postos ou lava-rápidos, só se for em último caso.
Já a recepcionista Elice dos Santos, só lava o carro em casa por conta da economia, usa apenas água e sabão e quase nunca encera. ''Quando quero ele mais limpinho levo em um lava-rápido'', admite. Moradora de apartamento, Elice diz que só é possível ela mesma dar um banho no automóvel, pois vai até a casa da avó, que mora na Vila Casoni. ''Todo mundo vem aqui, meu pai, meu irmão. Eu também gasto um pouquinho da água dela'', brinca Elice.
O agrônomo Marcelo Nishikawa não faz parte do grupo dos ''faça você mesmo''. Desde que comprou o primeiro carro sempre mandou limpar em lava-rápidos. ''Eu não gosto de fazer esse tipo de serviço, não tenho tempo e acho que fica muito melhor quando eu mando lavar'', afirma. Ele conta que vem de uma família onde nunca ninguém lavou o carro em casa, por isso não herdou esse hábito.
Nishikawa também destaca que, como trabalha na área rural, seu carro fica sempre muito sujo e ''pede'' por uma limpeza especial, principalmente na parte de baixo que fica repleta de terra. ''Quando chove mando lavar umas duas vezes por mês e quando o tempo está mais seco, uma lavagem mensal é o suficiente'', aponta o agrônomo.


