Elas começaram a ser montadas no Brasil em 1955. A mecânica era bem simples: o motorzinho fumacento, do tipo dois-tempos, queimava uma mistura de gasolina e óleo apropriado. O câmbio tinha três marchas (mais tarde, quatro), trocadas com o punho esquerdo. A cilindrada passou por 125, 150 e 175 cm3. Meio século depois viraram uma grande paixão, como aquela por carros antigos.
Nos anos 60, o então jovem Percival Yamashita já sonhava em rodar em cima de uma Lambretta. ''Desde pequeno eu via meu tio pilotando uma dessas. Cresci e acabei utilizando uma para trabalhar. Na época, era a sensação. Era o que é hoje essas motos grandes, estradeiras. Chamava a atenção de todos'', lembra o empresário londrinense hoje dono de uma Lambretta ano 55 e uma Vespa ano 62.
O apogeu da Lambretta e da Vespa ocorreu nas décadas de 50 e 60, quando para um rapaz era o máximo ter uma Lambretta e para a moça, um sucesso namorar um lambretteiro. No Brasil, o grande ano deste veículo foi 1958, que foi também um grande ano para o Brasil. Foi em 58 que a Seleção conquistou a Copa do Mundo e amosa modelo Carmen Verônica posou ao lado dos produtos do ano: a televisão e a Lambretta. Entre os anos de 1958 e 1960 foram vendidas 50 mil Lambrettas por ano.
A Lambretta 55, na cor vermelha, ainda guarda detalhes originais, como o motor, o pequeno farol, os bancos duplos, o estepe e a caixa 'porta-luvas', logo abaixo dos bancos. ''Esse modelo ainda era importado. As primeiras Lambrettas produzidas no Brasil vieram depois'', resgata Yamashita.
Assim como a irmã mais velha, a Vespa 62 do empresário conta com motor de 150 cm3. A diferença é que a roda traseira é presa diretamente ao conjunto câmbio-motor, formando uma peça única, compacta e que dispensa a corrente de transmissão.
Guardadas com carinho na garagem, as duas motocicletas mexem com a memória e as emoções de Yamashita. ''Mais que um hobby é uma lembrança viva da juventude. Ao vê-las, o sentimento é de nostalgia, saudades'', diz o empresário na tentativa de justificar a paixão pelas duas motonetas. ''São peças raras, que foram feitas quase que artesanalmente e que custavam caro na época. Na verdade, é como realizar um sonho da juventude agora, nos tempos modernos'', enfatiza Yamashita, que se auto-entitula um aprecidador de objetos antigos. Em sua casa, ainda estão guardados um Mercury 1948, um gramofone e máquinas fotográficas antigas, entre outros bibelôs.

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