São Paulo - Nada de tricô, curso de porcelana ou receita de bolo. O passatempo favorito das Penélopes modernas é o tuning, onda que começou há uns quatro anos com o lançamento do filme ''Velozes e Furiosos'', de Rob Cohen. O termo vem do inglês e significa algo como ''ajuste'' ou ''sintonia''. Mas, nesse caso, refere-se à prática de equipar o carro para deixá-lo mais bonito, com maior velocidade e segurança e, sobretudo, com um toque de originalidade. Os ''brinquedinhos'' que são acoplados à máquina vão desde suspensão rebaixada, pára-choques cortados, rodas e pneus esportivos, a aerofólio (peça que se adapta à traseira do carro para dar-lhe maior estabilidade na corrida), som e motor turbinado.
Assediada pela molecada, para quem distribui autógrafos, a modelo fotográfica Sílvia Oliveira - mãe de três filhos de 20, 19 e 13 anos -, é mais conhecida por Tuning Girl, pois foi a primeira mulher a entrar nesse circuito. ''Sempre tive paixão por carros, desde adolescente. Os modelos esportivos são os meus favoritos.'' Em 2003, ela trocou seu Kadett por um Fiat Palio 1.0 16V ELX, que já saiu da loja com rodas diferentes.
''Depois, um amigo me sugeriu que colocasse um adesivo feminino e escolhi uma personagem de videogame, a Lulu Dark Pupil, uma garota exótica de cabelos compridos.'' O adesivo fez tanto sucesso que Sílvia teve a idéia de incorporar a personagem, ao pé da letra. ''Fui à 25 de Março (avenida de São Paulo de comércio popular) e comprei os adereços, fiz algumas adaptações para tornar a roupa mais confortável e a personagem virou minha marca registrada nos eventos.''
Sílvia conta que o tuning é uma realização pessoal, mas, quando soube dos eventos no ramo, quis fazer parte da tribo. Durante um encontro dos praticantes de tuning no Sambódromo (SP), em 2003, ela chamou a atenção da mídia com o seu Palio vermelho. E assim começou a projetar-se no meio. Mas nem tudo são flores. ''No começo, ia às lojas de acessórios e os vendedores nem olhavam na minha cara. Se levava o meu marido, então, era pior, porque só se dirigiam a ele.''
Mas ela não desanimou, e foi incrementando o carro com acessórios, como pára-choques dianteiro e traseiro personalizados, rodas especiais, adesivos laterais, sneeze (parafernália que faz uma fumaça sair dos pára-choques), neon lilás dentro e fora do carro, comando de voz (abre e fecha janelas, abre porta-malas), bancos de couro, tapete de alumínio cromado, som forrado de couro vermelho, motor turbo. Nesse ambiente, diz ela, é comum haver preconceito, rivalidade e ciúmes. ''Como o hobby tem que dar prazer, e não dor de cabeça, eu não dou bola.'' As cantadas acontecem, mas ela leva na esportiva e acaba desconcertando os fãs inconvenientes.
Duro mesmo é conciliar a agenda de ''tuneira'' com os afazeres domésticos. ''Agora mesmo estou sem uma ajudante em casa.'' O marido já se acostumou, mas, no início, o casal brigava por causa do carro. Sílvia participa de competições e aluga o Palio para eventos por cerca de R$ 250,00. ''Vendê-lo? Só mesmo por uma proposta irrecusável'', diz, sem dar números.

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