Kia vai produzir veículos na Bahia
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domingo, 21 de janeiro de 2001
Da Redação 
As autoridades brasileiras autorizaram a companhia automotiva sul-coreana Kia Motors Co. a adiar por dois anos, até 2003, a conclusão da construção de sua fábrica no Estado da Bahia, informou a firma asiática na última quinta-feira.
O acordo foi obtido durante uma reunião realizada quinta-feira entre o presidente brasileiro Fernando Henrique Cardoso e seu colega sul-coreano Kim Dae-Jung em Seul, explicou um porta-voz da Kia Motors.
Sem este acordo, a Kia Motors teria sido multada pelo Brasil em pelo menos 72 milhões de dólares por não ter cumprido com o compromisso de construir a fábrica.
A sul-coreana Asia Motors, uma empresa que pertencia ao mesmo grupo que a Kia, começou a construção de uma fábrica em 1996, mas as obras atrasaram, em parte devido à falência da Kia Motors, em julho de 1997.
A Kia tinha previsto investir um total de 150 milhões de dólares na construção da fábrica do Estado da Bahia para produzir 30.000 veículos anuais. De acordo com Valdirene Marchiori, diretora da Valmar Veículos, revenda Kia para Londrina e região, serão produzidos os modelos Besta uma van para transporte de passageiros e Bongo um misto de picape e caminhão para o transporte de cargas.
O Brasil ameaçou multar a Kia depois de conceder isenções fiscais para a exportações de carros terminados, condicionadas à conclusão da obra.
Mas a montadora não terá novos benefícios fiscais. Além do perdão da multa e da anistia de uma dívida de R$ 80 milhões na Receita Federal, a Kia comprada pela Hyundai reivindica a prorrogação dos incentivos fiscais concedidos às montadoras até 2003, por meio do regime automotivo.
A redução de impostos para quem aderiu ao regime termina no final deste ano.
A Kia Motors foi a segunda montadora estrangeira que mais embarcou carros ao país no ano passado, em comparação com 99. Isso pressiona a balança comercial do Brasil. O crescimento nas importações foi de 100%, com o envio de 16 mil unidades ao país, contra 8.000 no ano anterior.
Desde o regime automotivo, lançado em 95, a Kia trouxe ao Brasil 49,7 mil automóveis da marca, segundo dados da Abeiva, que representa as importadoras do setor. No ranking das maiores importadoras, a Kia passou do quarto lugar em 95 para o segundo em 2000.
Mas o atendimento integral das reivindicações da Kia já está descartado. O secretário-executivo da Camex (Câmara de Comércio Exterior), Roberto Giannetti da Fonseca, afastou a possibilidade de prorrogar os incentivos fiscais.
A prorrogação dos incentivos para todas as montadoras interessadas teria um custo muito alto e enfrentaria resistências, inclusive por parte dos países do Mercosul. O perdão total da dívida da Kia também esbarraria na nova Lei de Responsabilidade Fiscal.
Inicialmente, a fábrica da empresa de origem sul-coreana seria instalada na cidade paulista de Itú.


