Juros altos encolhem mercado
A venda de caminhões no Brasil deve chegar a 52 mil unidades, 4,4% menos do que no ano passado. A previsão foi feita pelo presidente da Mercedes-Benz, Ben van Schaik. A montadora, líder do mercado, vinha contando com um mercado de 55 mil unidades, superior, portanto, ao do ano passado, que chegou a 54,4 mil. Mas a alta dos juros fez a empresa rever a previsão.
A Mercedes quer ter 37% desse mercado. Segundo Schaik, em 1999 o mercado poderá cair ainda mais, para 49 mil ou 50 mil unidades. Deveremos ter uma primeira metade do ano bastante dura e uma recuperação no segundo semestre, disse Schaik. Mesmo assim, a retração não é tão acentuada quanto a do mercado de carros de passeio, que acumula queda superior a 20%.
A montadora alemã também refez as contas da sua produção para este ano em razão da alta dos juros. A previsão inicial de 44 mil caminhões e ônibus foi reduzida para 42 mil unidades. Mesmo assim, o volume deverá ficar 3% acima do ano passado, quando a marca produziu 40.477 unidades. Deste total, 12.100 veículos serão exportados.
Diante da queda de demanda, a empresa decidiu dar três folgas coletivas aos funcionários da fábrica de veículos comerciais, em São Bernardo do Campo. A primeira será na próxima terça-feira. Com isso, o ritmo de produção diário foi reduzido de 170 para 165 veículos.
A empresa também decidiu não renovar o contrato de 500 operários que trabalham em regime temporário. E ainda: vai antecipar o término do contrato desse pessoal de dezembro para novembro.
Schaik disse que até agora a empresa não tomou nenhuma decisão a respeito de demissões. Mas estamos observando a situação diariamente, disse. Segundo ele, a empresa tem dois instrumentos para começar a reduzir o quadro, se necessário, antes de demitir. O primeiro mecanismo é o banco de horas e o segundo é a redução do número de temporários.
Classe AA Mercedes inaugurará a sua primeira fábrica de automóveis no Brasil no dia 26 de fevereiro. Schaik anunciou que 1.100 funcionários já foram contratados e mais 900 serão recrutados no início do ano. A fábrica está sendo construída em Juiz de Fora (MG). Num investimento de US$ 420 milhões, a planta terá já em 1999 capacidade anual para produzir 40 mil unidades do Classe A, um modelo de luxo compacto que deverá custar entre R$ 25 mil e R$ 30 mil.
A Mercedes-Benz do Brasil ainda aguarda os resultados práticos da fusão entre o grupo alemão Daimler-Benz e o americano Chrysler, acertada no ano passado.
Existe a expectativa de que seja feita a sinergia entre as duas marcas em áreas como departamento pessoal e de compras, segundo Schaik. Essa sinergia abrangeria o Brasil e o Mercosul. As direções mundiais das duas marcas que formaram uma só empresa continuam discutindo os detalhes da fusão. Esperam-se mudanças para o início do próximo ano.DivulgaçãoA Mercedes-Benz lançou recentemente uma nova linha de caminhões, como o LS 1938, que pode ficar sem consumidorAgência Estado





