Crescer em meio a apaixonados por antigomobilismo pode despertar desde cedo um desejo sem igual pelos veículos que marcaram época. A estudante universitária Flávia Massaro se enquadra perfeitamente no cenário citado acima.
Sobrinha de colecionador e com um pai não menos aficcionado, ela explica que sempre quis ter uma dessas relíquias em sua garagem, mas revela que enquanto a vontade ganhava força, fazer a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) se tornava algo cada vez mais secundário. ''Nunca tive o interesse em tirar a carteira, mas ganhei o veículo de presente de aniversário e passei a querer muito a habilitação'', afirma.
Uma linda camionete Chevrolet Brasil, ano 1963, nas cores azul e branca é o automóvel que tanto mexeu com Flávia e a fez encarar os testes do Departamento de Trânsito (Detran). ''Sempre gostei, era apaixonada por essa camionete e de repente meu pai me ligou avisando que havia comprado do meu tio e que agora ela era minha'', conta Flávia.
Não pensem os mais conservadores que a futura arquiteta planeja dar ao veículo uma cor mais feminina ou que sente receio por estar a bordo de uma Chevrolet antiga. Flávia faz questão de destacar que seu 1,71m de altura cabem muito bem no automóvel. ''No começo acho que as pessoas vão achar engraçado, mas como eu gosto não me importo com as reações. Sempre quis um carro diferente e aí está ele'', diz.
O veículo parece mesmo atender aos anseios da estudante e, provavelmente, faz inveja a qualquer colecionador. Afinal, como desconsiderar o fato de a camionete preservar para-lamas de lata, as rodas e toda a parte estética o mais original possível?
Um dos primeiros veículos produzidos pela GM no País merece respeito e Flávia promete cuidar da camionete muito bem. ''Ela já era bem original, mas estou fazendo algumas alterações para que fique mais ainda. O volante, por exemplo, que tinha sido trocado, voltou a ser o da Chevrolet Brasil'', esclarece.
Apesar de ser defensora da originalidade máxima do veículo, a estudante avisa que a mecânica foi alterada para a mesma da D20, outro modelo popular da Chevrolet. De fábrica, a 63 vinha com um motor seis cilindros a gasolina e agora é a diesel.
Para respeitar essas alterações, o câmbio - antes na coluna - foi mudado para o assoalho. Mudanças importantes, mas que não tiram o brilho da camionete e nem diminuem a vontade de Flávia começar a dirigir. ''Por enquanto ela fica guardada e está só me esperando.''

Jovem ganha uma 'senhora' camionete
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