A aventura começou no Audi A8. Como dizem os que entendem de carros, ele é realmente uma ''máquina''. Tudo o que se pode imaginar dentro de um veículo, ele tem. Com a pista toda do Autódromo Internacional de Curitiba a minha disposição, é claro que eu quis dirigi-lo. Afinal, não é sempre que se tem a chance de guiar um automóvel de meio milhão de reais. Confesso que não me interesso muito por carros e por isso mesmo, entendo do assunto superficialmente. Ao observar os primeiros metros da pista, em vez de curtir o ''carrão'', fiquei mais preocupada com a dificuldade que aquele ''caminho'' cheio de curvas iria me causar quando eu entrasse no carro de Fórmula 3.
Como não sou admiradora de automóveis, a oportunidade de dirigir um carro de corrida me pareceu interessante, mas não extraordinária. Na verdade, cheguei ao autódromo com a sensação de que estava simplesmente indo fazer mais uma matéria. Esse sentimento começou a mudar quando me aproximei do carro, vi a velocidade que ele podia atingir e quando senti, dirigindo o Audi, as curvas fechadas da pista. Se eu fosse seguir meus instintos (sou medrosa), teria ido embora. Mas resolvi esperar bravamente a minha vez de ''correr'' no Fórmula-3. À medida que a fila andava, eu interrogava cada um que voltava da corrida. Queria saber se era difícil, se tinha que trocar marchas, se era complicado fazer as curvas... E o ''frio na barriga'' só aumentava.
Chegou a minha vez. Entrei no F-3 vestida a caráter; afinal a segurança sempre vem em primeiro lugar, mesmo quando a motorista é principiante e não vai andar muito rápido. Dessa vez sim, faltou muito pouco para eu desistir. A sensação claustrofóbica no minúsculo cokpit e os cintos de segurança muito apertados quase me fizeram sair do carro. Mas continuei resistindo. Afinal, estava quase acabando. O piloto Allan Hellmeister e os mecânicos tiveram um trabalhinho de uns 10 minutos para me fazer entender o mecanismo do carro e, principalmente, como arrancar. Mesmo assim o carro morreu quatro vezes antes de eu conseguir ''largar''. Como essa parte é difícil... Enfim, na quinta tentativa finalmente consegui e fui para a pista.
No primeiro minuto de ''corrida'' fiquei preocupada em olhar os marcadores do painel (o medidor de velocidade, o conta-giros...) como haviam me ensinado. Já no segundo minuto, fiquei com medo da primeira curva e esqueci de todo o resto. E nada do que eu temia aconteceu. Eu não precisei diminuir muito a velocidade, não deixei o carro morrer e ele não passou reto pela curva. Aliás, foi tudo ao contrário. Fazer curvas com um carro de corrida, por mais fechadas que elas sejam, é fácil.
Cinco minutos de treino e eu já estava tão animada que arrisquei pisar um pouquinho mais no acelerador: 100 km/h, 120, até chegar aos 150 na reta principal. Para mim já era muito, mesmo estando num carro que chega a 270 km/h. As três voltas que eu podia dar acabaram e quando devolvi o carro me perguntaram se, no fim das contas, eu tinha gostado. Respondi: agora quero mais!

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