Joias sobre 4 rodas
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sábado, 18 de setembro de 2010
Elaine Souza<br>Reportagem Local 
Pensar em comprar um carro de R$ 300 mil, R$ 500 mil ou mais de R$ 1 milhão é coisa para poucos, literalmente, bem poucos. Só uma ínfima parte da população brasileira e mundial pode-se se dar ao prazer de matar essa vontade ou realizar esse sonho. Investir em carrões se restringe à elite brasileira. O crescimento econômico criou uma legião de endinheirados, compradores que consomem tudo de altíssimo nível. Em Londrina, a quantidade desses consumidores também cresceu e o reflexo está em todo canto.
Os mais atentos já notaram. Para os mais distraídos, basta reparar no trânsito das principais ruas da cidade e constatar que ele anda mais atraente. É um verdadeiro oásis de modelos importados. De Ferrari a Lamborghini, de Porsche a BMW, de Mercedes a Audi. No volante, pessoas que buscam, sobretudo, qualidade, tecnologia e autenticidade.
Os entrevistados dessa matéria, todos empresários, preferiram manter seus nomes em sigilo. A escolha é cabível quando se leva em questão o tamanho do patrimônio que eles detêm em carros importados. O primeiro deles é um apaixonado por Ferraris. Ele está em seu sexto exemplar. Ano 2007 e avaliada em R$ 1 milhão, o carro vermelho que carrega como logo um cavalo preto num fundo amarelo era um sonho desde pequeno. ''Cada um gosta de uma coisa. Uns de barco, outros de avião, eu sempre gostei de carros esportivos. Já tive várias Ferraris e as troco a cada dois, três anos. A minha já está na hora de trocar'', conta ele, que confessa ter encomendado o modelo 458 Itália (Spider), que chega ao Brasil no fim deste ano e custa R$ 1,8 milhão.
Em sua garagem destaque para outras máquinas, como a Mercedes E63 AMG, de meio milhão reais, modelo que ele usa no dia a dia, já que andar com sua Ferrari, que tem apenas 7 mil quilômetros, fica restrito a poucas vezes ao ano. Sim, ao ano. ''De janeiro até agora andei no máximo umas 3 vezes com ela. Chama muita atenção, fico muito vizado, não é qualquer lugar que você pode ir e as ruas também não colaboram muito'', disse. Na certa, o leitor deve estar se perguntando quanto custa manter esse valiosíssimo objeto de arte.
''Quase não gasto porque uso pouco. Não faço seguro porque não vale à pena. Mas se mandar para uma revisão, por exemplo, fica em torno de R$ 100 mil'', explica ele que teve apenas um incômodo com seu último esportivo italiano: o air bag disparou sozinho. Valor final do conserto: R$ 65 mil.
Um outro londrinense também tem como hobby os carros de luxo. Este ano ele incrementou sua coleção com a aquisição de uma Lamborghini, que tem valor estimado em R$ 1,7 milhão. ''Como todo brasileiro que gosta de carro sempre tive o sonho de ter um esportivo desse porte. Quando tive a oportunidade comprei a máquina''. Consumidor ímpar, nosso personagem - como o anterior - fica limitado a saídas com seu tesouro de cor amarela.
''É muita buraqueira nessa cidade. Já tive dois pneus furados por conta disso. Mas quando eu saio, todo mundo gosta de ver, desde adultos a crianças. O único cuidado que preciso tomar é com alguns motoristas, que às vezes se aproximam demais para tentar ver de perto e tirar foto'', conta. A título de informação, cada pneu perfurado de uma Lamborghini faz com que seu dono desembolse cerca de R$ 3 mil. Indagado sobre sua próxima compra, o empresário que já teve muitos carros BMW e Audi, e usa uma BMW X-5 de R$ 250 mil para se locomover, contou que vai comprar um Porsche Panamera, que custa R$ 650 mil.
Um maníaco por carros. É assim que podemos definir o empresário que mantém negócios em Londrina e Curitiba. Apologista de modelos velozes - e zero quilômetro - na sua frota de mais de dez exemplares constam Audi R8, Porsche Carrera, Infinit (divisão de luxo da Nissan), Dodge Challenger, Lamborghini e Mercedes, só para constar alguns. A coleção, que todo ano é renovada, também já foi agraciada com um Hummer e uma Ferrari. ''Tenho esses carros pelo puro prazer em ter. Quando você começa a andar com esportivos se apega. O incoveniente é não poder usar sempre pelo fato de chamar muito a atenção'', considera.
Outro fã de velocidade, um jovem empreendedor troca de carro importado todo ano. Ele já conheceu os inúmeros diferenciais de várias grifes estreladas. No início deste ano um Audi TT o conquistou. ''Já sabia da potência do carro. Passei um fim de semana com ele para testar e não devolvi. Quando se compra um carro assim não se pensa em valor. Se pensar, você não compra. A tecnologia que eles oferecem é o que me agrada'', conclui.
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