No mundo do antigomobilismo a boa relação entre pai e filho ganha um ingrediente todo especial: a paixão pelos carros que marcaram uma década ou que possuem alguma relevância na história da família. O caso do comerciante Ricardo Furukawa e seu pai, o agricultor aposentado Oscar Takeshi Furukawa, moradores de Ibiporã (Norte), mostra bem o poder que alguns automóveis têm de unir e fortalecer a amizade dentro de casa.
Ricardo conta que em 1999, para ir à faculdade de design, ganhou do pai um Volkswagen Fusca, ano 70. ''Meu pai sempre teve Fuscas e isso ajudou a alimentar a paixão que tenho hoje por este e outros carros, mas nunca com o intuito de colecionar'', diz.
Ricardo conta que, como algo que corre no sangue, depois de utilizar o Fusca, resolveu que seria uma boa seguir comprando automóveis. Hoje, a coleção compreende três Fuscas, incluindo o dos tempos da faculdade, duas Variants e dois Opalas - todos os veículos da década de 70.
''Cresci com meu pai sempre cuidando muito bem dos carros que tinha. Quando comprávamos, era sempre o automóvel da época, mas desde quando ganhei o Fusca decidi comprar carros antigos e deu certo adquirir veículos que fizeram parte da minha infância'', revela o comerciante.
Se Ricardo hoje pode afirmar que aprendeu com o pai a desenvolver amor pelos veículos, há três anos ele deu provas disso retribuindo os ensinamentos. O comerciante presenteou o pai com um Opala quatro portas, bege, ano 78, com um tradicional motor quatro cilindros e as demais peças todas originais, inclusive um rádio igual aos que costumeiramente se utilizavam em carros da década de 70.
A demonstração de carinho por parte do filho agradou Oscar. ''Quando ganhei (o carro) foi algo inexplicável, porque na minha mocidade sempre desejei um Opala, mas não tinha condições de comprar. Lembrar do que meu filho fez mexe comigo até hoje'', diz o aposentado.
Restauração
Colocar o Opalão para rodar não foi fácil. Levou cerca de um ano até restaurar todo o veículo, contam os Furukawa. Mas todo esse trabalho valeu a pena. ''Sempre tive uma excelente relação com meu pai, mas não há nada mais empolgante para colecionadores do que montar seus carros peça por peça e isso aproximou ainda mais nós dois'', opina Ricardo. ''Nos carros antigos encontramos um ponto em comum que fortaleceu nossa amizade e nos deu uma opção de lazer'', observa Oscar.
Para completar essa paixão e criar mais oportunidades para ficarem juntos, no ano passado Ricardo comprou um Opala 74, duas portas, vinho, e hoje pai e filho participam de encontros, exibindo as ''jóias'' de sua coleção.
Mas colecionador que se preza não pode deixar a paixão se perder com o tempo. Por isso, pai e filho começam a estimular a nova geração da família. ''Sempre que vamos passear levamos meus netos e pelo menos um deles parece mostrar muito interesse por antigomobilismo'', conclui Oscar, refirindo-se aos filhos de Ricardo, Henrique, 5 anos, e Felipe, 3.

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