Jipe nacional fortalece laços familiares
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sábado, 16 de março de 2013
Vinícius Fonseca<br>Reportagem Local 
Um automóvel pronto para qualquer terreno, cheio de estilo, para quem planeja um bom passeio e ao mesmo tempo com a força e a resistência para quem prefere seguir por um caminho off-road. Em geral, os jipes agregam tais características, mas um deles, em especial, chama a atenção de antigomobilistas. Totalmente brasileiros, os veículos Engesa, da Engenheiros Especializados S/A, mexem com a cabeça de colecionadores.
Vale ressaltar que esses carros eram produzidos com uma finalidade armamentista, sendo cedidos ao Exército Brasileiro. A Engesa foi fundada em 1975 e o jipe era um de seus poucos produtos que atendia militares e civis. Em 1993, no entanto, a empresa decretou falência e lotes de peças do jipe foram comercializados. "Algumas empresas, inclusive de Londrina, compraram esses lotes e minha família adquiriu uma dessas caixas e começou a montá-lo", conta Ricardo Déo da Silva, empresário de Arapongas.
A montagem do automóvel começou em 2001 e aos poucos o jipe se tornou o xodó da família. "A ideia é que o jipe fique na família para sempre. Meu pai e eu montamos ele todo juntos e isso foi marcante. Ele é nossa paixão", ressalta.
Originalmente de 1988, o veículo passou por alterações na parte mecânica e hoje é um combinado de peças. Tração, câmbio e diferencial, por exemplo, são os mesmos utilizados na Toyota Hilux. Já a suspensão é tupiniquim. "Ela é original Engesa", destaca.
O motor é o MWM 2.8 intercooler, o mesmo utilizado nas caminhonetes S10. Muito detalhista ao repassar informações sobre a mecânica do jipe, Déo Da Silva revela que antes de começar a montar o carro, que hoje desfila sua imponência e força em eventos, não sabia nada de automóveis. "Não sabia nada de mecânica, para ser sincero, nem de carro antigo eu gostava, mas meu pai é apaixonado, resolvi entrar nessa com ele e viciei", confessa.
O empresário vai além e lembra ainda que no processo mais pesado da montagem do Engesa ele trocou muitos passeios em bares com os amigos após o expediente pela graxa e o parafuso. Hoje, com "ferrugem correndo nas veias", como gosta de dizer, o araponguense se prepara para mais um desafio: montar um Maverick GT, também na companhia do pai. "Esse é o nosso próximo projeto e pretendemos montar juntos assim como foi com o jipe", diz.
Déo Da Silva sabe que não são poucos os apaixonados pelos jipes produzidos pela Engesa e comenta que vive a expectativa de um dia ver a empresa retomar as atividades. Vale lembrar que a Engenheiros Especializados S/A, além de produzir produtos de ponta, costumava importá-los. Aliás, calotes de governos internacionais são apontados como um dos principais motivos para sua falência.
A retomada da produção, sonhada pelo empresário, não parece distante. Em 2009 foi firmado um acordo entre Brasil e França, que previa a criação da Engesaer, um novo nome, mas o mesmo conceito: fabricar armamentos de qualidade. Para os colecionadores e admiradores das linhas de jipe lançada entre 1970 e 1980, há a esperança de que um dia eles voltem ao mercado. "O Engesa é diferente porque não é só um jipe, mas um jipe nacional", argumenta o empresário.


