Jipe cearense aprovado no Paris-Dacar
PUBLICAÇÃO
domingo, 28 de janeiro de 2001
Agência Estado 
Mais do que o vice-campeonato da categoria carros T3.2 da 23ª edição do rali Paris-Dacar 2001, os pilotos Alberto Fadigatti e Reinaldo Varela comemoraram o fato de cruzarem a linha de chegada com um carro de fabricação brasileira. A força do carro foi decisiva em momentos difíceis como as dunas da Mauritânia e não deixamos nada a dever com nosso jipe, afirmou Fadigatti, em uma entrevista coletiva concedida na última quarta-feira, em São Paulo. Os brasileiros ficaram em 22º na classificação geral entre os 113 carros que largaram no dia 1º de janeiro em Paris. Na categoria deles, o vencedor foi o belga Van Cauwembergue, com um Toyota.
Pilotando um Troller, jipe fabricado no Ceará, Fadigatti e Varela conquistaram o troféu de vice-campeões numa competição em que mais da metade dos competidores não conseguiram completar o percurso, que passou por seis países (França, Espanha, Marrocos, Mauritânia, Mali e Senegal) e teve 11 mil quilômetros de extensão percorrido em 21 dias. Nosso objetivo era ficar entre os cinco primeiros e conseguimos até mais do que isso, celebrou Varela. Foi preciso calcular a cada dia o tempo que precisávamos para manter um bom ritmo e para tanto, tivemos muita cautela. Acelerar na hora certa e fazer a manutenção correta do veículo, completou o piloto.
Oito pneus furados. Este foi o único esforço de manutenção que a equipe dos brasileiros teve durante os 21 dias de competição. Segundo o engenheiro da MWM motores (mecânica do Troller T5), Marcelo Buchli, a robustez do veículo e a regularidade da mecânica permitiram que os pilotos tivessem um bom desempenho no rali. A nossa vantagem em relação aos demais pilotos era que enquanto a maioria pensava em velocidade, Varela e Fadigatti apostavam na força do carro, revelou. Este carro nasceu andando nas areias do Ceará, ele dificilmente quebra, garantiu.
Fadigatti contou que durante as paradas do rali, era frequentemente assediado por outros pilotos que, surpreendidos pelo desempenho da dupla brasileira, questionavam qual era a origem do motor, do câmbio e do eixo do carro. Quando dizia que eram totalmente brasileiros, recebia proposta de compra na hora.
O motor utilizado pelos brasileiros tem potência de 153 cavalos e de acordo com o diretor comercial José Antonio Giannini, é um carro de série simples da montadora, claro que com os devidos reparos e ajustes para uma competição como essa. O incrível é que os pilotos passaram até 3 dias abrindo o motor e concluindo que não precisavam mexer em nada, comemorou.
A dupla Varela/Fadigatti está longe de obter o merecido descanso. No próximo mês de março, eles embarcam para a Itália, onde disputam mais uma etapa do Rally Cross Country - o Paris-Dacar foi a primeira das 9 etapas da competição. Desta vez, os dois irão correr o Baja/Itália, que acontece entre os dias 15 e 18 de março. O carro vice-campeão está em Portugal para alguns reparos na mecânica do veículo e deve sofrer alguma modificação na suspensão. Os pilotos são os únicos brasileiros inscritos em todas as competições do Rally Cross Country.


