E aí como está a Jandira? Essa pergunta faz parte do cotidiano do auxiliar administrativo Lelver Antonio Moro Cotarelli, de Londrina. Na verdade, esse nome é usado por amigos e por ele para se refirir à picape Ford 54 que o acompanha há quase nove anos.
Casando dois tons de azul, um fosco e outro claro, a camionete apresenta uma série de modificações em relação a um modelo original. Tudo para dar conforto ao seu proprietário. ''Quando a comprei estava sem carro há mais de um ano e queria um veículo pára uso próprio. Sou apaixonado por carros antigos, mas precisava de segurança e conforto para dirigir, então fiz as alterações'', justifica.
Embora a aparência externa seja a mesma da Ford 54, a mecânica foi totalmente remodelada. O volante na coluna é da Ranger. O motor, originalmente V8 a gasolina, passou a ser um seis cilindros a diesel, muito embora os brasões com o símbolo do V oitão e referências à Ford permaneçam intactos.
O câmbio passou de quatro para cinco marchas e o freio a tambor virou hidraúlico. Nas mudanças propostas por Cotarelli nem mesmo os bancos foram perdoados. Antes inteiriços no estilo sofá, eles foram substituídos por bancos da Silverado.
Outro quesito que ressalta as mudanças tecnológicas foi a instalação de vidros elétricos. Apesar das modernizações, o auxiliar administrativo garante ser louco por veículos antigos e, por isso, mantém a camionete com a ''cara de senhora'' de 1954. ''Camionetes dessa época são bonitas, mas um pouco ruins de dirigir. Agora, com todo esse conforto posso fazer viagens com ela. Fui até para a praia'', lembra ele, ressaltando que a Jandira fez muito sucesso no litoral.
Algumas curiosidades na relação de Cotarelli com a antiga picape são notáveis e realçam o prazer que ele garante ter por ser dono de um veículo de quase 60 anos de idade. ''Embora eu não seja mecânico, ajudei a fazer quase tudo na camionete porque gosto de ter essa sensação e colocar a mão na graxa mesmo'', afirma.
Tornam-se notáveis ainda as constantes mudanças a que ele submete a Ford 54. Como todo bom antigomobilista, Cotarelli diz que, embora esteja satisfeito com o veículo, sempre que o olha em detalhes vê a necessidade de mudanças. ''Quem gosta de carro antigo sempre sente vontade de estar mexendo, até pensei em vender essa e começar uma outra desde o início, mas acabou que o negócio não deu certo'', conta.

Jandira, uma picape de quase 60 anos
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