O que ar-condicionado e película de vidro têm em comum quando se fala em automóvel? Quem respondeu conforto está certo, mas não é só isso. A violência, principalmente nas cidades grandes, está fazendo estes dois itens, criados basicamente para conforto, ganharem também a função de segurança.
E o que esses dois produtos têm a ver com segurança? É simples. Com o ar, a pessoa pode andar com os vidros do carro fechados e diminuir as chances de alguém enfiar a mão dentro do veículo para assaltar o motorista ou passageiro.
Com a película, a segurança vem em duas frentes. Numa delas, o tom fumê do produto dificulta a visualização no interior do automóvel, o que faz com que o interessado em roubar pense duas vezes. Essa película evita que o vidro se estilhasse em caso de quebra. Além disso, surgiu recentemente no mercado a chamada película de segurança. Além do tom fumê e de evitar que o vidro se estilhasse, ela também dá mais resistência ao vidro, que suporta até várias marretadas antes de quebrar.
O medo dos motoristas é atestado nos números das empresas de Curitiba que vendem esses produtos. ‘‘Na conversa informal que a gente tem com os clientes dá para perceber que de 1999 para cá tem aumentado em 20% ao ano o número de pessoas que procuram o ar-condicionado mais pela segurança do que pelo conforto’’, conta Cândido Norberto Benin, gerente da Duplo Ar.
Segundo ele, o perfil de cliente aponta geralmente para quem já teve uma experiência de assalto. ‘‘É comum chegar alguma pessoa e dizer que vai instalar o ar porque um dia antes, por exemplo, foi assaltada quando estava com o vidro aberto’’, explica Benin.
Quem sofre mais são as mulheres. Quando elas não vão diretamente às empresas que fazem a instalação do equipamento, algum parente homem se encarrega da tarefa. ‘‘Tem muito marido, irmão, pai etc. trazendo o carro de uma mulher da família para instarmos o ar-condicionado em função da segurança’’, afirma Humberto Basile, dono da Subzero Sistemas de Refrigeração.
E não é só o equipamento novo que está ganhando força. Quem tem o ar no automóvel, mas não o utilizava porque estava estragado, está tratando de consertá-lo. ‘‘Tem muita gente vindo aqui para consertar o aparelho porque quer andar com os vidro fechados’’, diz Reinaldo Levandowski, dono da Rey do Ar, que trabalha só com manutenção.
Em relação às películas, a estética e proteção solar, que nortearam as vendas do produto há alguns anos, já não imperam mais. ‘‘Realmente, antes a questão estética era o principal. Hoje 80% das pessoas que instalam o produto estão preocupadas com a segurança. Há dois anos essa preocupação não chegava a 30%’’, observa Abraão Vieira, responsável pelo setor de serviços da Solar Film.
Segundo ele, as pessoas se baseiam na dúvida que a película pode causar para o ladrão. ‘‘Sem conseguir ver extamente quem o que está dentro do carro, o ladrão vai pensar um pouco mais antes de atacar’’.
De acordo com Vieira, muitos motoristas estão aderindo mais às películas que dão mais resistência ao vidro, o que protege principalmente quando o veículo está estacionado na rua. ‘‘O ladrão vai ter que ficar dando muita martelada se quiser quebrar o vidro e isso, lógico, vai chamar a atenção.’’

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