Fiat "tchinquetchento". Transcrever o nome em sua pronúncia correta, ao invés do abrasileirado "500", tem sua razão. O nome italiano é mais imponente, mais demorado de se falar - firula de repórter encantada com o objeto da matéria. Pois foi assim que terminei o teste com o supercompacto da Fiat, cedido pela concessionária Marajó durante um final de semana.
No início, não nos demos muito bem. Entrei no carro, girei a chave para ligar o motor e olhei para o câmbio. Automático de seis marchas, me dava a possibilidade de mudar a alavanca para trocas manuais. Um toque para cima para aumentar; a redução continua automática. A opção talvez sirva para amenizar a adaptação dos saudosistas que preservam o gosto por "cambear", mas não me pareceu confortável esse sistema semi-automático.
Desisti, joguei o câmbio para a função D e me entreguei à praticidade do automático. Daí para a frente dirigir o 500 passou a ser uma experiência para lá de agradável. Feito para as ruas, ele desliza pelo asfalto sem esforço e, a despeito de suas reduzidas dimensões, não passa despercebido. O design com elementos retrô remete ao seu modelo original, lançado em 1957 e que levava ao pé da letra a classificação de compacto (tinha apenas 2,970 de comprimento). Os faróis redondos e rebaixados, parecendo dois "olhinhos", vêm dele.
No interior, alguns versões do 500 preservam ícones, como o grande hodômetro analógico. Mas as referências ao passado param por aí, dando lugar aos bancos de couro com opções de cores e ao moderno painel preto com pintura localizada da cor externa do veículo – nesse caso, branco gioioso. O computador de bordo aponta distância, consumo médio e instantâneo, autonomia, velocidade média e tempo de percurso. No volante, há comandos para o telefone via Bluetooth e para o rádio, que tem entrada para CD e USB.
O charme adicional do modelo testado pela reportagem fica por conta do teto conversível em três posições. Ao baixá-lo totalmente elimina-se a sensação de espaço reduzido diante das dimensões do carro e trafega-se com maior frescor. No entanto, diante do calor intenso no final de semana do nosso teste, acabamos aproveitando pouco a função cabrio e nos rendemos ao potente ar-condicionado.

Desempenho
O modelo Cabrio Automático que pilotamos tem motor MultiAir 1.4 flex, que entrega 107 cv a 6.250 rpm e torque de 13,6 kgfm a 3.850 rpm. No pequeno trecho de estrada em que pudemos testar o 500, não esperávamos muito do pequeno, que parece pensado para a vida urbana. E, realmente, em condições normais ele corresponde dentro das possibilidades, mas não se deve arriscar em ultrapassagens pouco folgadas.
O que melhora sua performance é a função Sport, identificada por um botão vermelho no painel. Acionada, ela diminui a assistência da direção elétrica e deixa a resposta do acelerador mais rápida. Faz diferença. Em subidas, tem-se a sensação de um reforço na potência. Há quem defenda o acionamento permanente da função. Mas a verdade é que o 500 é o carro perfeito para uma vida leve. Não o imagino nas mãos de um estressadinho.

Modelo pode ser personalizado
O Fiat 500 possui sete opções de cores nos seus cinco modelos, que são Cult, Cult Dualogic, Sport Air, Sport Air Automático e Cabrio Automático. Todos têm motor 1.4. Os bancos podem ser revestidos com couro preto, marfim ou vermelho, entre outras variações. Os preços variam de R$ 44.390 a R$ 64.230, mas cada opcional incluído altera esses valores. Vale entrar no site da montadora (www.fiat.com.br) e brincar com seu carrinho. Dá até para imprimir a versão final. A ousadia do futuro proprietário vai ditar o limite de cores e opcionais – ou o bolso.

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