A venda de amortecedores restaurados para carros será fiscalizada pelo Instituto de Pesos e Medidas (Ipem) do Paraná a partir do próximo ano. Atualmente esta peça tem venda livre de fiscalização, pois não faz parte dos produtos que possuem certificação compulsória, como pneus, extintores de incêndio e preservativos masculinos.
Em Maringá, algumas lojas vendem os chamados amortecedores remanufaturados em fábricas de São Paulo, que duram menos do que os novos, e outras lojas vendem o amortecedor recondicionado, de restauração doméstica, que dura menos ainda.
O escritório do Ipem de Maringá já recebeu diversas reclamações de consumidores que tiveram problemas com esses tipos de amortecedores. O coordenador do complexo meteorológico do Ipem Marco Aurélio Maciel aconselha essas pessoas a procurar a Promotoria de Defesa do Consumidor.
Rogério diz que a qualidade do remanufaturado é boa, baseado na experiência do pai ‘viajante’‘‘O Instituto Nacional de Metrologia (Inmetro) do Ministério da Indústria e do Comércio tem 12 mil normas que regulamentam a venda de 40 produtos (pneus, extintores, bujões de gás). Atualmente, o Inmetro está terminando um projeto que amplia o alcance dessas normas para mais 100 produtos. O estudo ficará pronto no próximo ano e o amortecedor para automóvel, assim como outros produtos que têm alguma relação com saúde, segurança e meio ambiente, com certeza estará entre os novos produtos que serão fiscalizados’’, explicou Maciel.
As fábricas de automóveis não recomendam o uso de amortecedores restaurados. O perito em peças de uma concessionária de Maringá, Jaquenílson dos Santos Pinas, diz que a maioria dos restauradores apenas faz nova pintura, fura a cabeça do amortecedor e injeta óleo hidráulico 68: ‘‘Dura muito pouco, nem 200 km e a pressão acaba de novo. É dinheiro jogado fora’’, avisou ele.
A maioria das dez lojas que vendem essas peças fica na Avenida Colombo. Uma delas, recém-chegada de Londrina, oferece o amortecedor remanufaturado, que é restaurado pela fábrica ‘‘Good Par’’, de Campinas. O par deste custa R$ 45,00; o par novo, R$ 140,00. ‘‘Damos certificado de garantia de dois anos ou 30 mil km’’, disse o dono da loja, que pediu para ficar no anonimato, ‘‘por causa da concorrência’’, justificou.
No quintal de Atílio os amortecedores velhos esperam a vez de receberem óleo e pinturaEle explicou que este amortecedor é aberto em um torno; são trocados o pistão, o retentor e a válvula, além do óleo; depois, a peça é soldada. ‘‘Dura bastante, meu pai é viajante e não sei quantos quilômetros ele rodou com este amortecedor, mas rodou muito’’, disse o estudante do 2º grau Rodrigo Mendes, 19 anos, que voltou à oficina da Colombo para trocar mais um amortecedor velho por um remanufaturado.
Já o mecânico pioneiro Atílio Natavelli, 62 anos, que tem loja na Colombo há 32 anos, vende o amortecedor recondicionado por ele mesmo, na frente do freguês. Ele diz que também abre a peça e troca o que estiver estragado, e também coloca o óleo hidráulico 68. No fundo do quintal da oficina de Atílio existem dezenas de amortecedores velhos à espera dos fregueses. ‘‘Dura pouco, mas dura, dou garantia de seis meses ou 20 mil km’’, afirmou ele. O amortecedor ‘‘fabricado’’ por Atílio custa R$ 12,00.Fotos: Marcos NegriniDono de oficina mostra o amortecedor remanufaturado que recebe o óleo hidráulicoMarccio Varella

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