Se a facilidade de crédito e a elasticidade dos prazos contribuíram para aumentar significativamente a quantidade de veículos nas ruas, esse cenário elevou ainda mais a quantidade de motocicletas em circulação. Meio de transporte mais econômico e mais ágil do que os carros, a popularização desse tipo de veículo chegou - para ficar - aos consumidores das classes C, D e E.
Para este ano, a Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo) projeta crescimento e espera encerrar o ano com a comercialização de cerca de 1,8 milhão de unidades. A expectativa é atingir um resultado pouco superior ao registrado em 2007, quando foram vendidas cerca de 1,7 milhão de motos. A entidade não divulgou o índice estimado de aumento na comparação com 2009.
Mesmo assim, o desempenho estimado é inferior ao obtido em 2008, considerado o melhor ano da história do segmento. Na sequência, em 2009, a crise econômica mundial fez as vendas caírem. Colaborou para a estimativa, o desempenho registrado pelo setor até o mês passado. Nesse segundo trimestre houve um aumento de 13% nas vendas, em comparação com os três primeiros meses do ano.
As motocicletas trabalham com conceito de veículos racionais. ''É um transporte individual, mais econômico e de fácil acesso às classes C, D e E, onde têm mais penetração'', diz Moacyr Alberto Taes, diretor-executivo da Abraciclo. Nesse panorama, cerca de 45% das unidades comercializadas são financiadas, enquanto 32%, consorciadas e 23% vendidas à vista.
Paraná
Apesar do cenário nacional favorável para as motocicletas, o Paraná não segue a tendência. Segundo empresários do setor ouvidos, o Estado tem registrado desempenho fraco desde o ano passado. Para este ano o segmento projeta crescimento de 10% a 15% nas vendas, resultado considerado ainda baixo, uma vez que em 2009 a comercialização caiu 40% com relação a 2008. No Brasil as vendas caíram 16,4%.
De acordo com Fernando César Kuriki Fiorio, sócio-diretor da MotoBK (representante da Yamaha na região) e diretor-regional da Associação Brasileira das Concessionárias Yamaha, no geral, cerca de 70% das vendas são firmadas por meio de financiamentos. Além disso, ele diz que as motos de até 150 cilindradas - com preços de até R$ 7 mil - detêm cerca de 65% do mercado.
Já Márcio Marques dos Santos, sócio-gerente da Suzuki Mega Motors, acrescenta que as classes B, C e D estão endividadas por conta da compra de eletrodomésticos. ''Esse público está sem crédito. Cerca de 90% das vendas firmadas são feitas por meio de financiamentos sendo que, desse total, 90% das unidades são financiadas em seu valor total'', informa.
No entanto, poucos produtos de consumo despertam paixão ou ódio nos brasileiros como as motocicletas. Não há meio termo. O agropecuarista Juliano Dísparo Gomes, de Cambé, já teve 14 motos esportivas. Está na quarta do mesmo modelo, uma Suzuki GFXR de 750 cilindradas, conhecida como Srad. ''É pelo prazer de andar de moto. Só quem anda sabe'', resume ele que diz que não fica sem uma moto. No dia a dia ele utiliza uma camionete S-10, enquanto a moto é utilizada em passeios durante os finais de semana.
O entregador Wagner Rodrigues Porto também gosta de motos, mas utiliza a sua - um modelo Yamaha YBR Factor de 125 cilindradas - para trabalhar. ''Tenho vontade de ter mais motos, só que das grandes para passear'', comenta. Na hora da compra, ele optou por fazer um consórcio. ''Acho que compensa mais porque a moto sai mais barata do que financiada'', afirma.

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