Você já parou para pensar o que pode acontecer quando estiver dirigindo à noite e na pista contrária se deparar com faróis três vezes mais fortes do que os comuns?
Os farois de xenon que fogem ao padrão regulamentado pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran) podem ofuscar a visão dos motoristas que trafegam na pista contrária, o que ''pode acarretar num sério acidente'', alerta Antônio Vieira Dias Neto, engenheiro mecânico responsável técnico pela Aval Avaliações, órgão creditado pelo Inmetro e autorizado pelo Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) para avaliações automotivas.
Ele destaca que muitos motoristas, sem levar em conta a legislação, têm equipado seus veículos com faróis de xenon sem autorização para a mudança. ''Antes de fazer a alteração o proprietário do veículo precisa ir ao Detran e pedir uma autorização para mudança do sistema de iluminação do veículo. Só de posse dessa autorização o proprietário compra o kit e faz a mudança'', explica. Depois da instalação, o veículo deve passar por uma inspeção e, se for liberado, a empresa avaliadora emite laudo favorável e, assim, o proprietário deve comparecer novamente ao Detran para finalizar o processo.
Caso a alteração seja feita sem a autorização prévia do Detran, mas estiver dentro da permissividade da lei, o órgão pode até aprovar, mas será cobrada uma multa. Documentado e legalizado, o veículo pode rodar em qualquer estrada nacional. Mas se não estiver em conformidade com que pede o Contran, o desrespeito à norma é considerado infração grave, que prevê multa no valor de R$ 127 e retenção do veículo. A resolução 294/2008 que obriga os carros a serem normatizados pelo Inmetro entrou em vigou em janeiro do ano passado.
Vantagens
É fato que as luzes de xenon garantem vantagens como uma melhor visibilidade, maior durabilidade, sem contar ainda que dão um aspecto estético melhor ao veículo. No entanto, é preciso atentar para o que pode acontecer ao motorista que trafega em sentido contrário. ''Muitos motoristas reclamam que esses sistemas de iluminação atrapalham a visão. Por isso, é preciso estar atento que o máximo de luminosidade permitida por lei é de 6000K, que corresponde àquela lâmpada que dá uma tonalidade mais branca. As (luzes) que ofuscam a visão são as que têm a tonalidade azulada e não é permitida pelo Contran'', explica Dias Neto.
Comparada com a lâmpada convencional, a de xenon tem mais durabilidade e eficácia. ''Ela esquenta menos e tem menor consumo de energia o que faz com que a bateria do carro tenha uma melhor capacidade'', explica Eduardo Tominaga da Lumarson, loja especializada em acessórios.
De acordo com ele, algumas pessoas usam o xenon para eficiência, outras trocam apenas pela estética e não se importam se a voltagem excede o permitido. ''Mesmo sabendo que a voltagem está acima do permitido, alguns trocam assim mesmo. Só querem saber do lado estético e se esquecem do prático e do permissivo'', comenta.
A falha na fiscalização e a falta de controle de fabricantes e instaladores, para Tominaga, são fatores que influenciam a procura por lâmpadas com voltagens totalmente fora dos padrões exigidos pelo Contran. ''Os policiais não possuem equipamentos para medir a irregularidade do xenon, isso complica a fiscalização e facilita para os usuários que querem abusar das altas voltagens'', avalia.
Ainda assim as lâmpadas de xenon mais procuradas são as de 4300K que é a que mais se aproxima da tonalidade original, que não atrapalha tanto a visão do outro motorista; e a de 6000K que simula a luz do dia e é a máxima voltagem permitida pelo Contran. ''A iluminação feita com o xenon permite uma visibilidade mais eficaz, principalmente a noturna. Com ela consegue-se enxergar os obstáculos, as placas e a sinalização das rodovias com mais facilidade e nitidez'', explica Tominaga.

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