Insatisfação e desinformação marcam os que fazem reciclagem
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sábado, 06 de outubro de 2001
De Curitiba 
No último curso de reciclagem para os motoristas que completaram os 20 pontos ou tiveram suspensão direta, realizado em Curitiba, na semana passada, a sala do Detran estava lotada. A maioria das pessoas acha-se injustiçadas e de certa forma, estavam fazendo o curso meio a contra gosto, já que não querem ter a carteira cassada. Os primeiros minutos do curso são marcados de lamentações e indignações: uns dizem que o agente de trânsito exagerou, outros que estão ali por culpa de outros, como por exemplo, da filha que estava andando de moto sem capacete, outros ainda acham que é um exagero ter a carteira suspensa depois de completar 20 pontos e têm aqueles que dizem que quando foram entregar a carteira, não sabiam que iriam precisar fazer o curso.
Isso aconteceu com Osranny Nascimento, supervisor de embarque, que recebeu a notificação de que precisava entregar a habilitação em junho e depois de ter completado um mês de suspensão, foi informado de que precisava fazer o curso. No caso de Nascimento, ele não completou 20 pontos, mas sete e estava ali por ter sofrido suspensão direta. ''Quando recebi a carta fui entregar e ninguém me disse do curso, por isso que estou fazendo só agora. Depois de um mês, quando fui buscar, que vieram com essa história do cursoi'', explica, contando que a infração que cometeu foi ter andado de moto sem que o garupa estivesse de capacete.
Nascimento diz que, durante a suspensão e até o dia que reaver a carteira, não vai pilotar a moto, e foi essa necessidade, que o levou direto ao curso. ''Tenho medo que me peguem, então deixei a moto em casa. Mas como preciso dela, vim logo fazer o curso. Só não vim antes porque não sabia'', justifica.
O supervisor de embarque acredita que o curso é importante e válido, mas acha que no caso dele foi injusto. Ele alega que era de madrugada e deu carona ao irmão, que não podia ficar no baile sozinho aquelas hora. ''Nem vi me multarem. Só fui saber quando a carta chegou em casa. Mas e se eu tivesse deixado o meu irmão lá e tivesse acontecido alguma coisa com ele, não seria muito pior do que levá-lo para casa sem capacete?'' questiona.
Não menos inconformada estava a dona de casa Alice Carvalho. Ela teve a carteira suspensa por completar 20 pontos. Entre as infrações estavam não transferir o veículo quando o vendeu e excesso de velocidade flagrado por radares eletrônicos. ''Foi injusto. Pra mim ficou difícil, tenho nenê pequeno e preciso do carro para ir de um lado para o outro. Sorte que eu tenho meu marido que dirigia para mim, mas quando ele não estava em casa, complicava bastante'', diz.
Alice já completou o prazo da suspensão e também diz que não foi informada do curso quando foi entregar a carteira e que só a avisaram no dia em que ela foi buscá-la, o que, segundo ela, foi uma falha. ''Assim que recebi a carta, fui entregar. Daí fiquei os 30 dias sem dirigir e quando fui pegar é que me falaram do curso'', conta. (F.O)


