São Paulo - O mercado está mais do que aquecido com as medidas de incentivo anunciadas pela presidente Dilma Rousseff nos últimos meses e mais ainda com a prorrogação da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) até o fim do ano. O discurso entre os chefes das montadoras foi o mesmo durante o Salão Internacional do Automóvel de São Paulo: investimentos de milhões de reais nas fábricas brasileiras e projeções de venda para lá de otimistas.
Para os fabricantes nacionais, é certo que o Brasil - sexta maior economia do mundo - é um mercado importantíssimo para o setor e, por isso, estandes enormes, apresentações deslumbrantes e veículos de última geração, que nada perdem para os modelos internacionais, e que em alguns casos foram lançados simultaneamente no Brasil e no mundo, estão à disposição do público paulistano - e por que não, brasileiro - no Salão.
Do lado das montadoras importadas, o discurso repete o otimismo, apesar de as vendas terem caído mais de 30% entre janeiro e setembro deste ano em comparação a 2011, segundo dados da Associação Brasileira das Empresas Importadoras de Veículos Automotores (Abeiva). Para o presidente da entidade, Flávio Padovan, a carga tributária excessiva deixa as 29 marcas associadas da Abeiva com dificuldades para fechar o ano. ''São 55% de IPI, 12% de ICMS e 12% de Pis/Cofins que impactam diretamente no preço do carro na concessionária. Se um veículo chega no porto por R$ 100 mil, na loja custará uns R$ 340 mil'', avaliou.
Ainda conforme Padovan, em 2012, entre janeiro e agosto, foram importadas uma média de 12 mil carro por mês, o que deverá totalizar cerca de 120 mil unidades importadas no ano. No ano passado, esse número somou 199 mil. Ao todo, os associados da Abeiva empregam mais 35 mil pessoas em 882 concessionárias no País.
''O Inovar-Auto é um avanço, abraçamos o projeto do governo, mas estamos analisando o decreto antes de criar um novo plano estratégico. Cada montadora também colocará em prática planos individuais para enfrentar este momento'', concluiu Flávio Padovan.
Entre as importadoras, algumas anunciaram a construção de fábricas no Brasil nos próximos anos, como a BMW, a Cherry e a Districar, representante oficial das marcas SsangYong, Changan e Haima.
A fábrica da BMW será na região de Joinville (SC) e somará investimentos na ordem de 200 milhões de euros para uma capacidade instalada de 30 mil carros, gerando mil empregos diretos e até 2,5 mil indiretos.
A Cherry começará a construir a planta em Jacareí (SP) no final de 2013, com capacidade de produção de 150 mil unidades ao ano. Já a Districar anunciou a construção de uma fábrica em Linhares (ES), com capacidade instalada de 50 a 60 mil unidades mescladas entre as três marcas.
Segundo dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), o Salão de São Paulo está consolidado como o maior evento do gênero da América Latina e pode ser situado entre os seis maiores autoshows em nível mundial.
''O Brasil é hoje o quarto maior mercado e aspira ser também um dos maiores produtores de veículos. Para isso a indústria está cada vez mais se capacitando, investindo em tecnologia e desenvolvimento. Este Salão é uma síntese de um momento importante do setor. Devemos chegar no final de 2012 com 3,8 milhões de veículos comercializados, incluindo caminhões, e temos projeções de chegar a mais de 5 milhões em 2020. E as projeções de investimentos chegam a R$ 60 bilhões'', afirmou Cledorvino Bellini, presidente da Anfavea.
Para a entidade, esta perspectiva positiva é resultado de uma série de fatores como renda, investimento em produção, emprego, crédito, baixa inadimplência e expansão da economia. Hoje, o Brasil já é o quarto maior mercado automotivo do mundo, vindo depois de China, Estados Unidos e Japão.
Em função da relação habitante-veículo no País (há um veículo para cada seis habitantes) há espaço para crescer. Os investimentos em curso pelas montadoras são de US$ 22 bilhões até 2015, em capacidade de produção, em novos produtos e processos e em inovação e tecnologia.

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