Parte da indústria automotiva instalada na Argentina tende a mudar-se para o Brasil, pois a produção de carros e de componentes ficou cara no país vizinho com o desequilíbrio cambial. E se desde a criação do Mercosul, há oito anos, fábricas de peças e de automóveis foram estimuladas a ter linhas nos dois países para equilibrar a balança, hoje a atividade na Argentina passou a ser ‘‘um mico’’.
A indústria de autopeças já eliminou 10 mil dos 35 mil postos de trabalho, algumas montadoras, como Fiat, já transferiram parte das linhas para o Brasil e outras podem até fechar fábricas em Córdoba.
‘‘Quando o Brasil pega um resfriado, a Argentina fica com pneumonia’’, resume o presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Componentes Automotivos (Sindipeças), Paulo Butori. Este ano a indústria de autopeças brasileira deverá vender 50% menos para o país vizinho, o que representa queda de faturamento com essas exportações de US$ 1,1 bilhão para quase US$ 500 milhões.
Isso vai acontecer porque as montadoras vão diminuir a produção na Argentina e concentrá-la no Brasil. ‘‘A montadora desloca a sua compra para onde é mais barato’’, diz Butori. A queda só não será ainda maior para os fabricantes de componentes instalados no Brasil porque algumas montadoras vão começar a comprar do Brasil peças que compravam na própria Argentina para montar veículos naquele país.
É o caso da Sprinter, o utilitário da Mercedes-Benz. Segundo o diretor de compras da montadora, Manfred Straub, a empresa vai começar a comprar mais componentes do Brasil. Sprinter e uma série de outros modelos feitos na Argentina têm o Brasil como principal mercado. É o caso da Hilux, da Toyota, e da Silverado, da General Motors.
A GM tem uma fábrica em Córdoba que produz a Silverado. Setenta por cento da produção vem para o Brasil. O diretor de assuntos corporativos e de exportação da General Motors, José Carlos Pinheiro Neto, não confirma a possibilidade de a empresa desistir da fabricação da Silverado em Córdoba. Mas admite que ficou caro produzir o modelo lá. A General Motors também tem uma fábrica de Corsa em Rosário. Nesse caso, com a fabricação do mesmo modelo nos dois países, é possível concentrar a produção para o mercado local.
O problema ficou maior para quem tinha a linha de determinado produto apenas no país vizinho. É por isso que a Fiat já deslocou para o Brasil parte da produção do seu modelo médio Siena. Quem perdeu com isso foi a Delphi, que construiu uma fábrica na Argentina pensando no contrato de fornecimento de pára-choques para a Fiat.

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