São Paulo Os acordos comerciais com o México e Chile deverão puxar o desempenho do setor automotivo em 2003. Pelo menos é essa a expectativa da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), que projeta para 2003 um aumento de 20% nas exportações.
Estimativas divulgadas ontem pela Associação projetam que a receita de vendas para o mercado externo deve saltar de US$ 4 bilhões, em 2002, para US$ 4,8 bilhões, em 2003.
Segundo o presidente da Anfavea, Ricardo Carvalho, os acordos com o México e com o Chile começam a ser efetivamente colocados em prática a partir de janeiro deste ano. Eles foram assinados em julho de 2002, mas somente no final do ano passado foram validados pelos dois países.
''Estamos em negociação com a União Européia e amadurecendo novos acordos com a África do Sul e com a China. A Alca, que deve ser postergada pelo Brasil, também deve dar um novo impulso à indústria automotiva. Já o Pacto Andino está prejudicado em função da crise na Venezuela'', explicou Carvalho.
De janeiro a dezembro, as indústrias automotivas exportaram o equivalente a US$ 3,997 bilhões em veículos e máquinas agrícolas, o que significa uma queda de 3,2% em relação ao mesmo período de 2001.
Para o mercado interno, a Anfavea prevê um cenário de estagnação em função de fatores macroeconômicos como a manutenção da taxa de juros em patamares elevados. De acordo com as previsões publicadas pela Anfavea, as vendas de veículos para o mercado interno deverá passar de 1,49 milhão de unidades em 2002 para 1,5 milhão em 2003, um aumento de apenas 1%.
Já a produção de veículos deverá aumentar 6% neste ano, de 1,77 milhão de unidades em 2002 para 1,88 milhão de veículos em 2003. Essa elevação, segundo Carvalho, é justificada pela necessidade de aumento da produção para atender as vendas para o mercado externo, já que internamente o comércio de veículos ficará estagnado.
''O financiamento de veículos depende muito da taxa de juros, então nosso setor fica dependendo muito da taxa de juros'', explicou Carvalho. ''Como não prevemos uma redução dos juros a curto prazo, nossa aposta para 2003 está toda voltada para as exportações'', disse ele.

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