Independentes ao volante
PUBLICAÇÃO
sábado, 20 de setembro de 2003
Erika Zanon<br> Reportagem Local 
Primo Lepre, 91 anos: ''Com toda essa idade nunca bati em ninguém''
Um motorista atencioso e cuidadoso. É assim que Primo Lepre, 91 anos, que mora em Rolândia (25 km a oeste de Londrina), se define ao volante. Ele que costuma rodar pelas ruas da cidade no Chevette, ano 81, dirigiu um carro pela primeira vez em 1947. Depois dessa experiência, diz ele, nunca mais parou. ''É a minha independência'', declara o aposentado, que não se intimidou nem mesmo depois de ter sido submetido a uma cirurgia para a implantação de uma ponte de safena, no começo do ano. ''Com toda essa idade nunca bati em ninguém'', se gaba.
A idade avançada, que algumas pessoas acreditam ser o fim para o exercício de algumas atividades, não é exatamente um empecilho na hora de dirigir. Pelo contrário, para a maioria dos idosos que ainda dirigem, a sensação é de liberdade e independência. Dados do Departamento de Trânsito do Paraná, indicam que 389.394 pessoas acima de 55 anos possuem carteira de habilitação no Estado. Em Londrina esse número ultrapassa os 25 mil.
''Minha maior alegria em dirigir é sentir que tenho liberdade. Posso sair de casa a hora que eu quero e não dependo de ninguém'', descreve feliz da vida, a aposentada Esther Barcellos, 72 anos. Esther dirige há mais de 30 anos e conta que os filhos sempre a incentivaram e deram todo o apoio para que ela tirasse a carteira de habilitação. Mesmo com idade avançada, a ex-costureira, mostra que ainda é possível dirigir. ''Tomo certos cuidados e procuro fazer os exames médicos certinhos para não ter nenhum problema'', acrescenta.
Além disso, Esther revela que toma certos cuidados: quando está chovendo, procura não sair de casa dirigindo, pois a visibilidade não é muito boa. Ela também não dirige à noite e procura não fazer viagens longas para não se cansar. ''Outro detalhe é que sempre quis ter meu próprio carro. Se acontecer alguma coisa com ele, é meu mesmo'', brinca.
Esther confessa que não encontra dificuldades para dirigir e nem preconceitos. ''As pessoas que me conhecem e andam de carro comigo dizem que eu dirijo bem'', ressalta.
Tanto dona Esther quanto seo Lepre comentam que as maiores dificuldades que encontram para dirigir são as pessoas que não respeitam o trânsito. ''Tem gente que não tem consciência e anda rápido onde não deveria, sem respeitar os sinais de trânsito'', lamenta Lepre.


