Agência Estado
Os importadores de veículos informaram na semana passada que não vão repassar aos preços, nos próximos dois meses, o aumento da alíquota de importação em vigor desde o dia 1.º. A taxa subiu de 23% para 35% para os produtos trazidos de fora do Mercosul, o que representaria um impacto de 7,4% no preço final dos veículos.
O presidente da Associação Brasileira das Empresas Importadoras de Veículos Automotores (Abeiva), José Luiz Gandini, disse que não haverá importação nos próximos 60 dias, pois as empresas têm estoques. ‘‘As empresas anteciparam a nacionalização de veículos e, nos próximos 60 dias não vamos importar nada com a alíquota maior porque temos estoque’’, afirmou.
Gandini disse ter enviado ao ministro do Desenvolvimento, Alcides Tápias, carta solicitando a abertura de negociação para que, em março, o imposto de importação volte a 23%. Segundo a Abeiva, mantida a alíquota de 35%, as vendas deverão cair 25% em relação às 52 mil unidades comercializadas no ano passado. Gandini entende que a taxa de 35% é temporária, assim como o acordo para o Mercosul feito entre Brasil e Argentina.
Ele lembrou que o carro importado teve em 1999 um aumento de 53% por causa da desvalorização do real. O preço do veículo nacional subiu cerca de 28% no mesmo período. Na visão de Gandini, só a defasagem cambial já é um fator inibidor das importações. ‘‘Nosso segmento não pode ser visto como um problema para a balança comercial do País’’, ressaltou.