Importadores de carros querem alíquota de 20%
Agência Estado
De São Paulo
Os importadores de veículos enviaram ao governo federal esta semana um documento solicitando que a alíquota de importação de países de fora do Mercosul seja mantida entre 20% e 23% no próximo ano. Eles temem que seus negócios deixem de ser viáveis no País caso a taxa passe para 35%, como querem as montadoras. Com esse percentual, a diferença do preço de um modelo importado e de um similar nacional pode passar de 60%.
A alíquota maior já é consenso entre as fabricantes de veículos do Brasil e da Argentina, dentro da discussão do regime automobilístico para o Mercosul, que deve entrar em vigor em janeiro. Mas além dos importadores filiados à Associação Brasileira das Empresas Importadoras de Veículos Automotores (Abeiva), enfrenta resistências entre revendedores do Uruguai e do Paraguai.
O presidente da Abeiva, José Luiz Gandini, disse que o setor já está sendo penalizado com a desvalorização cambial, que fez com que a cotação do dólar passasse de R$ 1,21 em janeiro para uma média de R$ 1,95 em outubro, uma variação de 61%. No mesmo período, o preço do carro nacional subiu em média 27%.
Por conta da desvalorização e da queda das vendas no setor, as importações não deverão passar de 52 mil unidades neste ano, ante uma previsão inicial de 75 mil veículos. Mesmo que a alíquota de importação caísse para zero, Gandini garantiu que não haverá um boom nas importações, o que poderia prejudicar a balança comercial. Não há mais espaço no mercado para isso ocorrer, disse.
Para o executivo, o aumento da alíquota, mesmo com o fim do limite de cotas de importação, representaria a volta do protecionismo e do tempo em que não havia competitividade no mercado automobilístico. Gandini lembrou ainda que as 18 empresas filiadas à Abeiva mantêm hoje 587 revendas que empregam diretamente 16 mil pessoas.





